A Maçonaria e o movimento republicano

Paula de Almeida Franco

 

            Como já vimos anteriormente, a maçonaria é um grupo de pessoas que se reúne para discutir questões que se referem à humanidade com intuito de manter a paz, a liberdade e a fraternidade entre todos. Também sabemos que os maçons costumavam ser pessoas possuidoras de uma bagagem cultural e intelectual bastante vasta e, que por isso, acabavam influenciando alguns movimentos sociais e políticos. O movimento republicano foi um dos movimentos de maior importância para o nosso país e iremos ver como os maçons agiram ativamente nesse processo.

            Após a publicação do manifesto republicano em 1870, intensificara a propaganda republicana na província de São Paulo, liderada por Américo Brasiliense Almeida de Melo, Francisco Rangel Pestana, Manoel Ferraz de Campos Salles, Bernardino de Campos e Francisco Glicério, todos esses membros da maçonaria.

Em 18 de abril de 1873, ocorreu uma reunião entre os principais delegados dos Clubes Republicanos de diversas cidades do país que ficou conhecida como a Convenção de Itu. Nela estabeleceu-se a fundação do Partido Republicano Paulista. Apesar de ter ocorrido na província de São Paulo, esta convenção teve repercussão nacional pela presença de republicanos do Rio de Janeiro e, principalmente, pela presença de alguns dos mais notáveis nomes do movimento republicano como Campos Salles e Prudente de Morais Barros, ambos maçons que chegaram à presidência.

A Questão religiosa

            A Questão Religiosa teve origem durante a unificação da Itália e a perda do poder temporal do papa. D.Vital, então Bispo de Recife, viera da Europa impregnado de idéias anti-maçônicas, pois Pio IX acreditava que a perda do poder temporal da Igreja era devido aos maçons.

Assim D. Vital proibiu qualquer manifestação dos padres em relação à maçonaria, porém estes não o obedeceram e rezaram uma missa em comemoração à abertura de uma loja. D. Vital suspendeu os padres eliminando-os de suas irmandades religiosas e mandou um interdito contra as igrejas e capelas dessas irmandades. Os maçons então apelaram à Coroa, que através do Conselho do Estado, deu-lhes razão.

A Questão Religiosa não teve um impacto direto na proclamação da República, mas a partir dela, a Igreja passou a enxergar a monarquia de uma forma diferente.

Questão da Escravidão

            O movimento abolicionista tomou força em meados do século XIX. Em decorrência, principalmente, da pressão inglesa, em 1850 foi decretada a lei Euzébio de Queiroz, que extinguia o tráfico. Tal lei foi nomeada em homenagem ao seu elaborador, então ministro da Justiça, Euzébio de Queiroz que era maçom.

Eusébio de Queirós

            Porém, a escravidão continuava sendo alimentada pelo comércio interno. Isso levou o Comitê Francês de Emancipação, entidade maçônica, a solicitar ao governo brasileiro a libertação total dos escravos do país. O governo brasileiro respondeu dizendo que iria tratar a questão.

            As lojas maçônicas, nessa época, se encontravam em plena efervescência, embebidas pelas idéias republicanas e abolicionistas. Maçons de peso se prontificavam na campanha abolicionista, Américo Brasiliense, Américo de Campos, Luis Gama, Francisco Glicério, José do Patrocínio, Quintino Bocaiuva, visconde do Rio Branco, Joaquim Nabuco, enfim, diversos nomes aderiram à causa e se esforçaram para que ela ganhasse.

            Finalmente, em 1871 foi aprovada a lei visconde Rio Branco, que ficou conhecida como a “lei do ventre-livre”. A partir dela, filhos de escravos eram considerados livres. Estava dado o fim à profusão de escravos internamente.

O papel da maçonaria

            Vimos que várias figuras importantes para a proclamação eram membros da maçonaria e que esta esteve envolvida nos principais episódios que antecederam a vinda da república. Podemos dizer então que a maçonaria organizou a proclamação? Claro que não.

A maçonaria brasileira estava imbuída dos valores franceses como liberdade e igualdade e os trouxe para o Brasil. Tais valores eram discutidos entre os seus membros e diversas ações nesse sentido ocorreram ao longo do país nas diversas revoltas que antecederam à proclamação. O papel dos maçons foi essencialmente apresentar as discussões para o campo político e social em que atuavam.

            Assim, a idéia de república nos meios maçônicos estava madura a partir dos anos 1870. Os seus membros, por serem em parte, homens influentes na política brasileira apresentaram e impulsionaram a disseminação das idéias republicanas. Podemos dizer que a maçonaria contribuiu na propagação de tais ideais, mas não podemos dizer que ela foi sozinha responsável pela proclamação.

Dica:

Texto baseado no livro CASTELLANI, José. A Maçonaria e o movimento republicano brasileiro. São Paulo: Editora Traco, 1989.

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Uma resposta para A Maçonaria e o movimento republicano

  1. Prof. Omar disse:

    Olá Paula,
    Grato pelas suas palavras e por sua visita! Cito seu blog devido a qualidade do mesmo e relevancia para os estudos de meus alunos.

    Concordo com você, o fascínio da história está em sua complexidade e distanciamento dos lugares comuns do pensamento a-crítico.

    Você teve a oportunidade de ler, nos links indicados, o texto:”Para que serve a história: um exercício prático!” ? Acredito que lhe agradará bastante.

    Abraços,
    Prof. Omar

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