Revolução Mexicana – a queda de Porfírio Diaz

Ana Carolina Machado de Souza
Aos CC. Secretários da H. Câmara de Deputados.
Presente.
O Povo mexicano, esse povo que tão generosamente me cobriu de honras, que me proclamou seu caudilho durante a guerra de intervenção
[...] insurrecionou-se em grupos de milhares armados, manifestando que a minha presença no exercício do Supremo Poder Executivo, é a causa da sua insurreição. Não conheço facto algum que me seja imputável que motivara esse fenómeno social; mas permitindo, sem conceder, que possa ser culpado inconsciente, essa possibilidade faz da minha pessoa a menos apropriada para raciocinar e dizer sobre a minha própria culpabilidade. Em tal conceito[...] (v)enho ante a Suprema Representação da Nação a demitir sem reserva o encargo de Presidente Constitucional da República[...]
Porfírio Diaz, em 25 de maio de 1911.
A Revolução Mexicana, de 1910, foi uma das primeiras grandes movimentações populares contra a opressão imperialista e latifundiária, que uniu o sul basicamente rural e o norte pouco mais industrializado. É considerada um dos grandes marcos históricos mexicanos por trazer mudanças singulares em sua política e economia. Neste post será apresentado o governo ditatorial de Porfírio Diaz até a tomada de poder por Francisco Madero em 1911.
Ciclo da História do México, 1930 – 1932, no Palácio Nacional – Detalhe sobre a Revolução Mexicana
O Porfiriato possuía características excludentes que já existiam bem antes da independência, como o domínio da elite agrária no país e a ênfase na exportação de matérias-primas tropicais e minérios. Contudo, esse período é considerado como um dos primeiros processos de desenvolvimento capitalista mexicano, com a introdução de capital e indústrias estrangeiras no país, mas ainda com uma política que beneficiava as elites. Boa parte da população era analfabeta e explorada pelo regime ditatorial e essa massa, composta majoritariamente por descendentes indígenas, foi a base do movimento armado, que se formou nas periferias das grandes cidades e dos grandes debates intelectuais políticos. Portanto, foi um movimento marginal às discussões ideológicas e de caráter essencialmente popular.
PORFIRIO DÍAZ
Durante os 34 anos de Porfiriato o México teve grandes transformações econômicas que tiveram conseqüências danosas às políticas sociais. Um dos casos famosos foi a reformulação das leis sobre as demarcações de propriedades, estas foram desapropriadas de Igrejas e assentamentos indígenas. Essas leis auxiliavam grandes latifundiários a arrecadarem mais terras, em detrimento dos camponeses, que passavam a viver a mercê do trabalho disponibilizado por essa minoria privilegiada.
A ênfase econômica era na exportação de produtos primários e minérios, e foi no governo de Diaz que o petróleo passou a ser explorado. Contudo, as concessões pertenciam a empresas internacionais, como a Royal Dutch Shell  ou a Standart Oil , mostra que os investimentos de capital estrangeiro no país cresciam cada vez mais, alterando consideravelmente o patamar econômico mexicano. Contudo, a má administração do dinheiro público causou uma crise econômica sem precedentes naquele país e os setores que apoiavam Porfírio Diaz, como os militares e os grandes proprietários de terras, passaram a desgostar do regime.
Outro problema constitucional era a reeleição constante de Diaz e em 1910 passou a causar ainda mais incômodo a alguns setores da população e um imbróglio administrativo fez com que a revolução tomasse forma. Porfírio Diaz disse que se retiraria ao fim de seu mandato, o que causou uma movimentação dos seus opositores políticos. Francisco Madero foi um dos mais célebres articuladores contra o regime ditatorial e passou a percorrer o país formando alianças e um partido político que concorresse nas próximas eleições. Alguns de seus aliados foram Emiliano Zapata e Pancho Villa, grandes personagens da Revolução.
Emiliano Zapata
Francisco Madero
Pancho Villa
Durante esse período de viagem pelo México, Madero foi detido em San Luis de Potosí  acusado de atentar contra o governo e neste período Diaz foi novamente reeleito. Madero fugiu para o Texas, e em San Antonio lançou o Plano de San Luis, com o qual convocava a luta armada contra o governo, em 20 de novembro de 1910 (data até hoje comemorada com desfiles cívicos e feriado). A luta armada começou no norte, em algumas províncias e foi avançando para a capital, Cidade do México. Em 1911 houve eleições novamente e desta vez Madero foi eleito, enquanto isso, pouco tempo antes, Porfírio Díaz renunciou e fugiu para a França.
Considera-se que a Revolução foi o movimento que derrubou o regime ditatorial e permitiu a ascensão de Madero ao poder com apoio de camponeses, indígenas e operários. Contudo, as promessas de reforma agrária e política não tomavam forma e o desagrado crescia contra o governo, novamente. Os líderes marginais, como Zapata e Villa organizaram outro levante contra Madero, outrora aliado…mas isso é história para outro post.
Dica:
BRUIT, Hector Hernan. Revoluções na America Latina. São Paulo: Atual, 1988.
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2 respostas para Revolução Mexicana – a queda de Porfírio Diaz

  1. Reblogged this on Entre séculose comentado:
    É importante saber!

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