Origens históricas da moderna Maçonaria

Paula de Almeida Franco

Sempre estamos lendo sobre os símbolos e mistérios da maçonaria, mas dificilmente encontramos textos sobre a sua origem. De onde veio então essa organização? O que conhecemos hoje da maçonaria é fruto de um processo histórico iniciado há muitos anos atrás. Esse post tratará de possíveis primórdios da maçonaria, ou seja, organizações anteriores que serviram de referência ou que até mesmo se transformaram devido a diversas circunstâncias formando a moderna maçonaria.

As Três Grandes Luzes da Maçonaria

A maçonaria que conhecemos hoje, chamada de maçonaria moderna, é bem diferente de sua suposta origem. Pesquisas apontam que a maçonaria surgiu de uma reunião de pessoas que dominavam a arte e as técnicas de construir. Começaremos pelo Império Romano do Ocidente, que devido a sua intensa atividade bélica possuía uma organização de construtores chamada Collegia Fabrorum, no século VI a.C. Tinha como objetivo reconstruir tudo aquilo que era destruído pela guerra. Após a queda do Império Romano do Ocidente, o Collegia Fabrorum também entrou em decadência.

Durante a Idade Média surgiu o que hoje conhecemos como Maçonaria Operativa ou Maçonaria de Ofício. A partir do século VI, as Associações Monásticas, principalmente formadas por clérigos, dominavam o segredo da arte de construir. Eram os responsáveis pela preservação da Arte Real entre os mestres construtores da Europa. Posteriormente, por volta do século X, devido à necessidade de expansão das construções, a Maçonaria Operativa passou a receber membros integrantes leigos, ou seja, aqueles que não faziam parte do clero.

Já no século XII surgiram corpos profissionais denominados Guildas. Estas foram responsáveis pelo aparecimento do termo “Loja” para designar uma corporação e o seu local de trabalho na documentação. Elas caracterizavam-se por três finalidades principais: auxílio mútuo, reuniões em banquetes e atuação por reformas políticas e sociais. Nesse mesmo período surgiu também os Ofícios Francos ou a Franco-Maçonaria, formados por artesãos privilegiados com liberdade de locomoção e isenção de impostos reais, feudais e eclesiásticos. Tratava-se então de uma organização de construtores categorizados, eram pedreiros-livres, franc-maçons para os franceses ou freemasons para os ingleses.

Porém nessa fase inicial, antes de propriamente ter iniciado a formação das Lojas, quase não podemos falar em Maçonaria no sentido que ela adquiriu na fase moderna, pois não podia ser considerada como uma Sociedade secreta. As Lojas eram criadas para os construtores discutirem e tratarem de determinada construção, como uma catedral por exemplo.

Com a decadência das Corporações de Ofício no século XVI, diante das perseguições que sofriam, e mais ainda com o apogeu da Renascença que renegava o estilo gótico e a estrutura ogival das abóbadas (próprias da arte dos Franco-Maçons medievais), afetaram negativamente as organizações dos construtores, especialmente a Franco-Maçonaria. Esta, perdendo o seu objetivo inicial, transformou-se em uma Sociedade de auxílio mútuo e resolveu-se então permitir a entrada de homens não ligados à arte de construir, chamados de Maçons Aceitos.

As corporações agora admitiam pessoas selecionadas que eram conhecidas pelos seus dotes culturais, pelo seu talento e pela sua condição aristocrática. Era uma tentativa de sustar o declínio. Em 1666, os Franco-Maçons recuperaram o prestígio após um grande incêndio em Londres, através da aprovação de um plano de reconstrução da cidade.

Catedral de São Paulo – Londres. Catedral reconstruída depois do incêndio por membros da Franco-maçonaria.

As transformações lentas da maçonaria a colocaram na vanguarda não só do renascimento cultural e científico, mas também das lutas pelas grandes reformas sociais. A maçonaria passou a ser procurada por grandes representantes da intelectualidade da época, pois ela oferecia um meio lícito de associação, era um espaço para a livre manifestação do pensamento, abordando a universalidade dos conhecimentos sem despertar suspeitas e perseguições. Não sendo órgão de nenhum partido político, ela firmou o seu propósito de estudar e impulsionar todos os problemas referentes à vida humana com o objetivo de assegurar a paz, a justiça e a fraternidade entre todos os homens e povos.

Como na época não existiam templos maçônicos, as reuniões aconteciam no interior de tabernas ou nos adros das igrejas, que tinham um papel muito importante como locais difusores de idéias. As quatro Lojas que então existiam reuniram-se em 1717 e criaram The Premier Grand Lodje (a Primeira Grande Loja), em Londres, implantando o sistema com Lojas subordinadas a um poder central, sob a direção de um Grão Mestre, já que antes as Lojas eram independentes. Esse fato foi considerado um divisor de águas entre a antiga e a moderna Maçonaria.

Assim, a Maçonaria moderna foi resultado de um processo histórico envolvendo, a princípio, construtores e obreiros preocupados em discutir e resolver questões referentes a grandes desafios arquitetônicos e, mais tarde, envolvendo aqueles que possuíam atrativos principalmente intelectuais e quisessem discutir e resolver questões que tangiam à humanidade.

Dica:

Texto baseado no livro: CASTELLANI, José. A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial. São Paulo: Landmark, 2001.

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2 respostas para Origens históricas da moderna Maçonaria

  1. lindonaaaaaa disse:

    parabéns lindo texto estou contente e feliz e gravida.hhohohohoh

  2. jamila disse:

    Gostei muito do texto, me ajudou muito a entender o conceito da maçonaria, de forma clara e objetiva.

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