70 anos dos bombardeios à Hiroshima e Nagasaki

Imagem do bombardeio à cidade de Nagasaki

Imagem do bombardeio à cidade de Nagasaki

Hoje faz 70 anos de um episódio que marcou a história mundial. Ao estudarmos o passado, percebemos que nós, seres humanos, sempre nos utilizamos de guerras para legitimar um argumento, seja político ou econômico (ou os dois), mudar um status quo, ampliar nossos poderes. Não foi diferente no século XX, imerso na industrialização e modernidade, que foi assolado por duas grandes guerras.

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito que teve seu início marcado pela invasão da Polônia pela Alemanha nazista em 1º de setembro de 1939. Esta é a data formal, mas nós sabemos que existiram inúmeras situações precedentes. O surgimento dos Estados totalitários na Europa, a devastação que os países sofreram com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a crise econômica que os assolou fizeram parte de conjunturas políticas, econômicas e sociais que acabaram por desencadear o conflito.

Os Estados Unidos entraram na guerra ao lado dos Aliados (Reino Unido, Rússia, França, Estados Unidos) após o ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. Esta base no Havaí concentrava a maior parte da frota naval norte-americana que patrulhava o Oceano Pacífico. Como o próprio nome denuncia, a guerra, se não era mundial até aquele momento, passou a ser. O Japão, parceiro do Eixo (Alemanha, Itália, Japão), tentava proteger a região do pacífico, enquanto Itália e Alemanha mantinham-se na Europa e no norte da África. Contudo, essa investida japonesa já ia para seu quarto ano em 1945, e sem apoio dos outros países, que perdiam territórios e soldados em grande escala no Velho Continente. Em 8 de maio de 1945, a Alemanha assinou o acordo de rendição, terminando oficialmente a guerra europeia e deixando o Japão isolado no outro lado do mundo.

A industrialização permitiu o rápido desenvolvimento bélico de todos os países envolvidos. As diferenças das batalhas travadas entre a Primeira e a Segunda  Guerra Mundial são notáveis, e isso em um curto espaço de tempo. Os Aliados possuíam o Projeto Manhattan, um grande laboratório de pesquisas atômicas financiado pelo governo norte-americano com o intuito de criar armas cada vez mais letais e destruidoras. Sabe-se que o Eixo também possuía um avançado centro de pesquisas e que alguns de seus melhores cientistas capturados escolheram trabalhar no Projeto Manhattan a fim de diminuir as punições que sofreriam. Ao longo dos quatro anos de pesquisa, finalmente eles conseguiram criar armas desencadeadas por fissões nucleares. Foram feitos alguns testes em ilhas no Pacífico até que, em 1943, foi dada a ordem final: os cargueiros norte-americanos poderiam transportar as bombas, pois seriam utilizadas contra o Japão.

Todos esses detalhes técnicos mascaram, mesmo que furtivamente, a pior consequência do uso dessas bombas: as perdas civis. A principal característica desse tipo de armamento é a destruição total de qualquer ser vivo que esteja em seu raio de ação. Considerando que a guerra na Europa era uma questão de tempo a ser finalizada com vitória dos Aliados, haja vista a perda contínua de batalhas pelos nazistas na Rússia, a falta de organização e planejamento dos fascistas na Itália, o uso da arma atômica em civis no Japão ainda é um ponto a ser questionado. Qual o limite de uma guerra?

Os alvos recomendados em território japonês eram Hiroshima, Kokura, Niigata e Kioto. Aqui tem um detalhe curioso, Kioto era um local quase que certo para ser atacado, mas sua importância religiosa fez com que os americanos recuassem, e Nagasaki foi escolhida. A bomba de Hiroshima em 06 de agosto de 1945 sepultou de vez o conflito. Os efeitos foram alarmantes, aproximadamente 210 mil pessoas (quase 30 % da população) desapareceram junto com as cinzas do cogumelo gigante. O restante faleceu devido a complicações do impacto e, quem sobreviveu, sofreu as consequências da arma nuclear. Três dias depois, Nagasaki também viveria o mesmo terror. Foi a única vez que as bombas atômicas foram utilizadas. Hoje existem diversos pactos e acordos para que o horror não se repita.

A Segunda Guerra Mundial nos apresentou um número vergonhoso de atrocidades que nós, seres humanos, podemos cometer. Genocídio de culturas inteiras, holocausto, as duas bombas nucleares… Até que ponto podemos chegar?

Ana Carolina Machado

Dicas de leitura

HERSEY, John. Hiroshima. São Paulo: Companhia das Letras, 2002

Livro do jornalista John Hersey que fez uma reportagem um ano depois com seis sobreviventes da bomba de Hiroshima. Quarenta anos depois ele voltou a falar com seus personagens e fez um retrato da catástrofe de 1945.
Assista ao documentário “Luz Branca, Chuva Negra”

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