11/09/2001: o início do século XXI

A manhã do dia 11 de setembro de 2001 mudou não só a história dos EUA. Vivemos a globalização do seu jeito mais terrível. O mundo assistiu ao vivo dois aviões, da American Airlines e United Airlines, colidirem com as torres do World Trade Center, em Nova York. Também assistimos o sequestro de um terceiro avião com destino ao Pentágono. Por fim, a queda de uma outra aeronave nos campos da Pensilvânia depois que os passageiros lutaram contra os sequestradores e impediram a explosão no local premeditado. Discorrem que este último avião seria direcionado à Casa Branca. Horas depois o grupo Al Qaeda assumiu a autoria do ataque.

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Os motivos para o ato foram diversos. Em 2002, Osama bin Laden, líder do grupo terrorista, escreveu Letter to America (Carta para a América – tradução livre), na qual atribui o ataque à uma espécie de autodefesa: “Por que vocês nos atacam e continuam a nos atacar”. Resumindo o extenso documento:

  • O apoio dos EUA ao Estado de Israel e o consequente subjugo do povo palestino;
  • “Apoio ao ataque a muçulmanos” na Somália;
  • Apoio à Rússia nas invasões da Chechênia;
  • Apoio à opressão da Índia contra os muçulmanos da Caxemira;
  • Apoio à agressão judia aos libaneses;
  • A exploração americana ao petróleo no Oriente Médio;

Em nome de Alá e do Islã, o grupo resolveu atacar quem eles pensavam ser o principal responsável por toda a calamidade que ocorria (e ocorre) na sua terra. Em sua carta, Bin Laden deixa clara sua consternação e ódio contra a opressão judaico-cristã, desde a permissão de usuras às leis e direitos que os países do ocidente partilham.

Morreram 2996 pessoas entre passageiros, sequestradores, trabalhadores, turistas, visitantes no World Trade Center, no Pentágono e arredores. A maioria eram civis, apesar de que muitos bombeiros também faleceram durante o resgate de vítimas e depois, por consequências médicas.

O historiador John Gray diz no início de sua obra Al Qaeda: And What it Means to be Modern: “Os guerrilheiros suicidas que atacaram Washington e Nova York (…) fizeram mais do que matar milhares de civis e demolir o World Trade Center. Destruíram o mito do Ocidente dominador”.* Apesar das várias ressalvas feitas a esse livro em específico, a ideia aqui é a da modificação do sentido de ser moderno após o episódio violento. E a violência é o mote fundamental.

Se retomarmos o que Hannah Arendt disse para elucidar a sua própria filosofia política sobre o poder, acreditava-se que este seria a instância que possuía e estaria intrinsecamente associada à violência. Esta, contudo, não seria o fim e sim o meio. Faria parte do homem em sociedade e lhe garantiria a sobrevivência. Esse pensamento surgiu com a criação do Estado Moderno, com o Leviatã de Hobbes, foi assimilado e destrinçado com o Iluminismo, se aprofundou com Max Weber e se desdobrou com o marxismo e o anarquismo. Oras, a revolução é um ato transformador, com o objetivo de se criar uma nova ordem. A História pode ser estudada e posta em cronologia por meio de suas revoluções: Gloriosa na Inglaterra em 1688; Francesa em 1789; Industrial na Inglaterra em 1780; Chinesa em 1911; Russa em 1917. Os próprios americanos instituíram a república a partir de um ato revolucionário.

Foi a primeira vez em sua história, desde que eram colônia inglesa, que os americanos sofreram um ataque em próprio território. A última (e única) guerra que travaram foi justamente a Guerra de Secessão.

Em nome da religião, quatro aviões foram sequestrados e quase 3000 pessoas morreram em solo americano. Porém, as consequências para o Oriente Médio foram ainda mais nefastas. Nosso papel, contudo, não é julgar o que é certo e errado em termos religiosos. A Igreja Católica é uma das instituições mais sanguinárias da história, perseguindo e matando milhares de pessoas que contrariavam seus dogmas. O Protestantismo e suas variadas vertentes, por exemplo, também oprime o direito de grupos LGBTs e feministas. Na Índia, há o sistema de castas que hierarquiza a sociedade de uma maneira abismal, e que após séculos de exploração e repressão das castas mais baixas, só agora passou a ser questionado. Nós sabemos que o Estado laico é uma ilusão. No Brasil, percebemos como a discussão sobre a legalização do aborto ou das drogas ainda enfrenta argumentos puramente pautados nas questões religiosas. O 11/09 transformou o mundo por motivos religiosos. Novamente.

No dia seguinte ao ataque o Secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, ordenou uma investigação para verificar evidências de envolvimento do Iraque de Saddam Hussein. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) convocou o Artigo 5, emenda da Guerra Fria, na qual todos os países do tratado estariam sob ataque a partir do momento em que um deles sofresse. No dia 14 do mesmo mês, o Congresso americano autorizou o uso de forças militares contra o terrorismo. E em sete de outubro, EUA e Reino Unido declararam guerra contra o Taliban, no Afeganistão. As aprovações ao governo George W. Bush chegaram a 90% e as ações contra o “terror” lhe renderam a reeleição.

Soldiers from Charlie Company 2/87 burn down a Taliban Safe House discovered during Operation Catamount Fury, a battalion size mission taking place in the Paktika Province of Afghanistan on March 30, 2007 that is focused on limiting the movement of the Taliban within Paktika. U.S. Army photo by: SSG Justin Holley, 982 Combat Camera Company.  (Released)

Soldados explodem uma das fortalezas do Taliban. Março/2007. Foto: SSG Justin Holley, 982 Combat Camera Company

A Guerra contra o Afeganistão, o Iraque anos depois (reiterada por “sugestões” de que haveria arsenal nuclear nas mãos de Hussein), fora o apoio à Guerra Santa de Israelenses e Palestinos, mataram milhares de civis. Somadas às vítimas em solo americano, o número de civis que sofrem com as batalhas travadas em nome de Deus, Alá e do dinheiro não param. E provavelmente nunca pararão.

Foram ações violentas que modificaram os rumos das sociedades ao longo do tempo, e o 11 de setembro de 2001 não foi diferente. O século XX, é dito, só teve seu início com a Primeira Guerra Mundial, de 1914-1918, que acabou com a “guerra romântica” e deu início às atrocidades bélicas construídas em massa devido à industrialização. O século XXI, por sua vez, começou com o medo do terror, do antrax, do outro, do diferente.  Da vigilância microscópica das nossas ligações, e-mails, redes sociais, compras com cartão de crédito, viagens e conversas.

Em 1991, havia caído o Muro de Berlim. 10 anos depois caíram as torres gêmeas. Uma década, mas dois mundos diferentes. Já passamos para a segunda década deste século e vivemos sob o medo do Estado Islâmico e seus horrores filmados e que se tornam virais pela internet.  A pergunta não é mais em que ponto chegamos e sim, para onde iremos?

Ana Carolina Machado

* GRAY, John. Al Qaeda y lo que significa ser moderno. Barcelona: Paidós, 2004. p. 13.

Veja também:

Carta para América

http://www.theguardian.com/world/2002/nov/24/theobserver

Discurso do Presidente George W. Bush dia 11/09/2001

http://edition.cnn.com/2001/US/09/11/bush.speech.text/

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