Vestibular

Atenção vestibulandos, hoje tem mais questões respondidas!!!!

(Vestibular Fuvest 2013) Quando Bernal Díaz avistou pela primeira vez a capital asteca, ficou sem palavras. Anos mais tarde, as palavras viriam: ele escreveu um alentado relato de suas experiências como membro da expedição espanhola liderada por Hernán Cortés rumo ao Império Asteca. Naquela tarde de novembro de 1519, porém, quando Díaz e seus companheiros de conquista emergiram do desfiladeiro e depararam-se pela primeira vez com o Vale do México lá embaixo, viram um cenário que, anos depois, assim descreveram: “vislumbramos tamanhas maravilhas que não sabíamos o que dizer, nem se o que se nos apresentava diante dos olhos era real”.

Matthew Restall. Sete mitos da conquista espanhola. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 15-16. Adaptado.

O texto mostra um aspecto importante da conquista da América pelos espanhóis, a saber,

a) a superioridade cultural dos nativos americanos em relação aos europeus.

b) o caráter amistoso do primeiro encontro e da posterior convivência entre conquistadores e conquistados.

c) a surpresa dos conquistadores diante de manifestações culturais dos nativos americanos.

d) o reconhecimento, pelos nativos, da importância dos contatos culturais e comerciais com os europeus.

e) a rápida desaparição das culturas nativas da América Espanhola.

Resposta

C

Essa pergunta é muito mais interpretação de texto do que o conhecimento sobre as civilizações pré-colombianas. Vale ressaltar aos leitores que todos os vestibulares, sem exceção, prezam por um candidato que saiba ler e assimilar os enunciados, pois muitas das respostas estão contidas ali.

Nesta questão em específico, é necessário o vestibulando ter uma pequena noção da colonização do Novo Mundo. Quando os espanhois chegaram em Tenochtitlán, atual Cidade do México, se depararam com uma civilização” avançada”, aos moldes europeus. Ou seja, a partir do seu ponto de vista, os astecas surpreenderam por apresentarem um grau de desenvolvimento político, social, cultural que não era esperado. O enunciado narra a chegada das tropas de Cortés ao Vale do México e a surpresa de todos ao encontrarem uma cidade estruturada, com ruas pavimentadas, templos religiosos, sistemas de abastecimento de água e de produção agrária. Por isso a única alternativa possível é a C.

Por que as outras estão erradas?

a) Em nenhum momento no texto foi mencionada uma possível superioridade dos indígenas em relação aos europeus

b) O candidato precisa saber que o encontro entre europeus e nativos americanos foi tudo, menos amistoso. Cortés teve ajuda de intérpretes e fez alianças com povos inimigos dos astecas, mas o choque da sua chegada atingiu a todos. Outro aspecto que denuncia o erro na alternativa é a menção a uma convivência pacífica. Nenhuma colonização é pacífica;

d) O texto não fala de reconhecimento dos nativos. Ele sequer menciona o ponto de vista deles, pois relata a experiência espanhola a partir da figura do soldado Bernal Díaz;

e) Essa está errada pois, novamente, o texto não menciona nenhum desaparecimento. Contudo, pelo próprio conhecimento das culturas latino-americanas sabe-se que há uma forte ligação das populações com suas ancestralidades. No século XIX, por exemplo, o resgate de objetos e documentos sobre o passado mesoamericano foi pauta fundamental para o estabelecimento das identidades nacionais.

(Vestibular Unicamp 2011) A arte colonial mineira seguia as proposições do Concílio de Trento (1545-1553), dando visibilidade ao catolicismo reformado. O artífice deveria representar passagens sacras. Não era, portanto, plenamente livre na definição dos traços e temas das obras. Sua função era criar, segundo os padrões da Igreja, as peças encomendadas pelas confrarias, grandes mecenas das artes em Minas Gerais.

(Adaptado de Camila F. G. Santiago, “Traços europeus, cores mineiras: três pinturas coloniais inspiradas em uma gravura de Joaquim Carneiro da Silva”, em Junia Furtado (org.), Sons, formas, cores e movimentos na modernidade atlântica. Europa, Américas e África. São Paulo: Annablume, 2008, p. 385.)

Considerando as informações do enunciado, a arte colonial mineira pode ser definida como

a) renascentista, pois criava na colônia uma arte sacra própria do catolicismo reformado, resgatando os ideais clássicos, segundo os padrões do Concílio de Trento.

b) barroca, já que seguia os preceitos da Contrarreforma. Era financiada e encomendada pelas confrarias e criada pelos artífices locais.

c) escolástica, porque seguia as proposições do Concílio de Trento. Os artífices locais, financiados pela Igreja, apenas reproduziam as obras de arte sacra europeias.

d) popular, por ser criada por artífices locais, que incluíam escravos, libertos, mulatos e brancos pobres que se colocavam sob a proteção das confrarias.

Resposta

B

Nesta questão, o enunciado situa cronologicamente o candidato, apresentando as diretrizes seguidas por aquela que denominaram de “arte colonial mineira”. Porém, ele permite que o vestibulando recorra ao seu conhecimento sobre o período colonial brasileiro. Apesar de se mencionar o Concílio de Trento, é necessário lembrar que a arte derivada do período da Contrarreforma, o Barroco, só teve maior desenvolvimento no Brasil no final do século XVII, em cidades do Nordeste, como em Salvador (então capital), ou mesmo no Rio de Janeiro. Em Minas Gerais, o estilo surge com maior abundância no século XVIII, devido ao ciclo do ouro e uma maior concentração de renda no local. Por conta das particularidades encontradas no estado mineiro, muitos historiadores da arte detalharam o estilo como “Barroco Mineiro”.  

Por que as outras estão incorretas?

a) A arte renascentista, que resgatava o classicismo de Grécia e Roma, teve maior desenvolvimento na Europa e não era uma arte sacra própria do catolicismo reformado, esta era o Barroco;

c) A escolástica é uma escola de pensamento crítico que nasceu na Idade Média, sobretudo com a Suma Teológica de São Tomás de Aquino. Ou seja, uma teoria filosófica e teológica e não um estilo artístico;

d) Nesta alternativa o candidato precisa entender que “popular” é uma caracterização muito genérica de qualquer manifestação artística, e geralmente é mencionada em uma contraposição a “erudito”, algo já muito debatido na historiografia.

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