Especial Vestibular – África

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(Vestibular Unicamp 2015) É na segunda metade do século XV que a África negra descobre os portugueses. Ela se compõe de um mosaico de povos, Estados e impérios (animistas ou islamizados) que nem a coroa nem os marinheiros de Lisboa jamais conseguirão dominar. O fim do século é marcado, entre outras coisas, pela expansão do Império de Gao e pela ascensão da dinastia Askya no Sudão ocidental. Mas é preciso lembrar as inúmeras redes comerciais que não haviam esperado os europeus para promover a circulação de escravos. (Adaptado de Serge Gruzinski, A passagem do século 1480-1520. As origens da globalização. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-57.)

a) Que elementos do texto acima indicam que o continente africano tinha, naquele período, formas de organização complexas?

b) Como os agentes portugueses organizaram a economia do tráfico na Era Moderna?

Respostas:

Nesta questão, deve-se observar a menção específica à parte negra da África, também chamada de África subsaariana. O enunciado aborda o período das Grandes Navegações e a colonização que ocorreu tanto na América quanto na África, portanto, o candidato deve situar-se cronológica e geograficamente para compreender o que será pedido. Vale ressaltar uma pegadinha: muitos podem se confundir com a África do Norte pela menção de “impérios islamizados”. Contudo, a parte abaixo do deserto do Saara também possui estados islâmicos.

a) Esta alternativa liga-se diretamente à interpretação do texto. Nele encontra-se todos os elementos que indicam formas complexas de organização social e política, como “Ela se compõe de um mosaico de povos, Estados e impérios (animistas e islamizados)…”. A partir da localização da resposta, o aluno deve desenvolvê-la, mostrar seu conhecimento sobre o assunto.

b) Já esta pergunta requer um mínimo de conhecimento sobre a atuação portuguesa na Modernidade. O aluno pode abordar a rede comercial estabelecida no Atlântico, entre Europa, América e África, o escambo como forma de comércio com as civilizações americanas e africanas e, sobretudo, a organização do tráfico negreiro português a partir de feitorias.

(Enem 2013) Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito correções, viremos agora a página — não para esquecê-lo, mas para não deixá-lo aprisionar-nos para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade sul-africana, em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito criadas à imagem de Deus. Desmond Tutu, no encerramento da Comissão da Verdade na África do Sul.

Disponível em: http://td.camara.leg.br. Acesso em: 17 dez. 2012 (adaptado).

No texto, relaciona-se a consolidação da democracia na África do Sul à superação de um legado

a) populista, que favorecia a cooptação de dissidentes políticos.

b) totalitarista, que bloqueava o diálogo com os movimentos sociais.

c) segregacionista, que impedia a universalização da cidadania.

d) estagnacionista, que disseminava a pauperização social.

e) fundamentalista, que engendrava conflitos religiosos.

Resposta:

C

Explicação:

O candidato deve lembrar que a África do Sul foi colonizada pelos holandeses no século XVII e pelos ingleses no século XIX. Nesses dois processos, o segregacionismo racial foi empregado, escamoteado por uma “necessidade” de se preservar os costumes e a ordem social, mas que se mostrou uma forma de submissão dos negros. A desigualdade social pautou-se, assim como em outros países, no grande abismo de direitos e deveres que existia entre brancos e negros. No século XX, foi instaurado o apartheid, sistema de separação racial que tolhia os direitos dos negros (quase 90% da população do país), e entregava a administração estatal aos brancos, uma minoria de menos de 10%. As proibições e criminalizações contra os negros foram instituídas mais fortemente ao longo das décadas de 1940, 50, 60 e 70, quando partidos opositores ao regime tornaram-se ilegais. Um exemplo de líder que lutava contra o apartheid foi Nelson Mandela, que em 1964, após inúmeras prisões, solturas e fugas, recebeu a condenação de prisão perpétua. Permaneceu encarcerado até 1990, totalizando 27 anos preso. Naquele ano, deu-se início a um processo de abertura política, devido a insustentabilidade do governo da minoria. Algumas leis do apartheid foram revogadas e em 1994, ocorreram as primeiras eleições democráticas no país. Mandela foi eleito o presidente e a construção de uma nova África do Sul era a base do plano de governo.

Foi nesse contexto dos anos 1990, que foi criada a Comissão da Verdade e Reconciliação, uma das frentes criadas para se repensar e reconstruir a identidade sulafricana, abarcando negros e brancos. Vários líderes fizeram parte e foram convidados, como o bispo Desmond Tutu, o autor do discurso mencionado no enunciado.

A única resposta possível é a C.

Por que as outras estão erradas:

a) O texto não menciona qualquer tipo de característica de um governo populista, à la Getúlio Vargas ou Juan Domingo Perón, na Argentina;

b) Como dito acima, havia um bloqueio com os movimentos sociais, mas o sistema político sulafricano era baseado na segregação racial e social. Não há menções a regimes tipo totalitaristas da contemporaneidade, como Stalin na URSS, ou Mao Tsé-Tung e seu governo revolucionário na China;

d) “Legado estagnacionista” é uma assertiva genérica, posta assim não tem qualquer significado;

e) O governo sulafricano não tinha como característica o fundamentalismo religioso. As diferenças impostas á população negra estavam mais relacionadas à raça. Contudo, vale ressaltar que toda manifestação religiosa que tive relação com a cultura negra, também era proibida.

(Enem 2013) A recuperação da herança cultural africana deve levar em conta o que é próprio do processo cultural: seu movimento, pluralidade e complexidade. Não se trata, portanto, do resgate ingênuo do passado nem do seu cultivo nostálgico, mas de procurar perceber o próprio rosto cultural brasileiro. O que se quer é captar seu movimento para melhor compreendê-lo historicamente.

MINAS GERAIS. Cadernos do Arquivo 1: Escravidão em Minas Gerais. Belo Horizonte: Arquivo Público Mineiro, 1988.

Com base no texto, a análise de manifestações culturais de origem africana, como a capoeira ou o candomblé, deve considerar que elas

a) permanecem como reprodução dos valores e costumes africanos.

b) perderam a relação com o seu passado histórico.

c) derivam da interação entre valores africanos e a experiência histórica brasileira.

d) contribuem para o distanciamento cultural entre negros e brancos no Brasil atual.

e) demonstram a maior complexidade cultural dos africanos em relação aos europeus.

Resposta: 

C

O candidato deve interpretar o texto para encontrar a alternativa correta, mas, além disso, entender minimamente como se dá a compreensão histórica do período. Aqui, é abordada a escravidão e a herança cultural que se encontra nos costumes brasileiros. Quando diz, “deve levar em conta o que é próprio do processo cultural:, seu movimento, pluralidade e complexidade”, já dá a dica para entender que nenhuma casracterística, seja cultural, social, religiosa, mantém-se incólume ao tempo. Por exemplo, a capoeira hoje é uma manifestação artística e cultural tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), mas que no Brasil surgiu como uma mescla de dança e luta praticada pelos escravos para se armarem contra seus senhores. Os negros eram proibidos de lutar, então escamoteavam seus movimentos como se fossem ritmos dançantes. Por que isso é importante? Porque demonstra as modificações e complexidades encontradas em qualquer manifestação cultural. No caso do Brasil, as heranças africanas adquiriram características particulares no espaço temporal em que tem atuação.

A resposta possível: C;

Por que as outras estão erradas:

a) Diz exatamente o contrário do enunciado: não há uma reprodução exatas dos valores e costumes africanos porque aqui no Brasil temos outro contexto e historicidade;

b) Não se perde relação com o passado histórico, porque é na busca às origens que certas práticas permanecem. Contudo, achar que manifestações culturais do passado se manterão no presente como eram, é ingênuo;

d) Essa é uma afirmação sem qualquer embasamento científico.

e) A qualificação em “maior” é errônea, porque nenhuma cultura é maior ou melhor do que outra. Pensar assim contribui para as segregações, xenofobias e racismos que existem ainda hoje.

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