Especial Vestibular – ENEM – Primeira República

(Enem 2014) O problema central a ser resolvido pelo Novo Regime era a organização de outro pacto de poder que pudesse substituir o arranjo imperial com grau suficiente de estabilidade. O próprio presidente Campos Sales resumiu claramente seu objetivo: “É de lá, dos estados, que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam agitadas nas ruas da capital da União. A política dos estados é a política nacional”.

CARVALHO, J. M. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987 (adaptado).

Nessa citação, o presidente do Brasil no período expressa uma estratégia política no sentido de

a) governar com a adesão popular.

b) atrair o apoio das oligarquias regionais.

c) conferir maior autonomia às prefeituras.

d) democratizar o poder do governo central.

e) ampliar a influência da capital no cenário nacional

Resposta

B

Resposta do Historiandonanet

Para responder essa questão é preciso ter em mente qual foi o principal desafio do governo central durante os primeiros anos da República no Brasil. Visto que nas primeiras décadas do século XX, o país foi marcado por um fenômeno conhecido por “coronelismo” que acabava por determinar o rumos da política nacional. Tal sistema tinha como caractertística a criação de acordos entre os governos estaduais e os mandatários locais, os chamados “coronéis”, que detinham os poderes políticos e econômicos. O governo federal então se baseava nesses acordos para poder colocar em prática seus planos econômicos, políticos e sociais para o país. Dessa forma, fazia-se essencial que o presidente da República se aproximasse das oligarquias (governo de poucas pessoas) regionais para poder governar. Foi justamente no mandato de Campos Salles (1898-1902) que se formalizou a chamada política dos governadores, ou seja, a criação de acordos com políticos estaduais para sua eleição em troca de recursos aos respectivos estados. Tal política ficou conhecida como “política do café-com-leite”, pois acabou resultando num protagonismo de dois estados brasileiros, São Paulo e Minas Gerais, que passaram a se revezar no controle político do país. Tal interpretação historiográfica é hoje debatida, mas prevalece a visão de que as oligarquias regionais com mais força econômica acabavam mantendo o governo central sob seu controle.

Assim, a resposta B apresenta a única alternativa plausível para a questão.

(Enem 2013) Nos estados, entretanto, se instalavam as oligarquias, de cujo perigo já nos advertia Saint-Hilaire, e sob o disfarce do que se chamou “a política dos governadores”. Em círculos concêntricos esse sistema vem cumular no próprio poder central que é o sol do nosso sistema.

PRADO, P. Retrato do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.

A crítica presente no texto remete ao acordo que fundamentou o regime republicano brasileiro durante as três primeiras décadas do século XX e fortaleceu o(a)

a) poder militar, enquanto fiador da ordem econômica.

b) presidencialismo, com o objetivo de limitar o poder dos coronéis.

c) domínio de grupos regionais sobre a ordem federativa.

d) intervenção nos estados, autorizada pelas normas constitucionais.

e) isonomia do governo federal no tratamento das disputas locais.

Resposta

C

Resposta do Historiandonanet07:

Seguindo o mesmo conceito da questão anterior que trata da forma de se fazer política no Brasil nas primeiras décadas da República, pode-se chegar á conclusão de que a política dos governadores dizia respeito à tentativa de se colocar os interesses de oligarquias regionais acima daqueles da política central, como se afirma na alternativa C.

Por que as outras estão erradas?

a. A partir de 1894, iniciou-se, no Brasil, um período de coroação dos interesses civis sobre os miltares, elegendo-se, a partir de então, somente candidatos civis. Assim, não se pode afirmar que a política dos governadores tinha como interesse fortalecer o poder militar.

b. Esse é justamente o significado oposto da política dos governadores. Em nenhum momento, nesse período, procura-se controlar o poder dos coronéis regionais. Iss porque, eles apareciam como fiadores da política central, tornado possível a votação de determinados candidatos.

d. A Constituição de 1891 estabeleceu como um de seus principais princípios a autonomia dos estados, deixando ao governo federal somente a jurisdição para determinados campos da política e da economia nacional. Portanto, não se pode afirmar que qualquer presidente da República Oligárquica, como é conhecido o período entre 1894 e 1930, tenha tido como objetivo intervir nos estados do país.

e. A política dos governadores acabou fortalecendo, como dito anteriormente, dois estados, SP e MG. Assim, não é possível concluir que buscava-se uma isonomia no tratamento dos estados, pelo contrário, os interesses desses estados mais “fortes” acabavam dominando as determinações do governo central com relação às políticas que seriam impostas a todo o país.

Curta nossa página no Facebook!

Esse post foi publicado em vestibular e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s