Segunda Guerra Mundial – Parte 1

 

MAPA IIGM

Mapa dos territórios invadidos pelos nazistas até 1940

Introdução e explicações

A Segunda Guerra Mundial ocorrida entre 1939 e 1945, foi um desses eventos superlativos que ocorrem regularmente na história da humanidade. Xadrez político, perseguições a minorias, ideologias, holocausto, bombas atômicas e a ascensão e consolidação dos Estados Unidos como a maior potência global por pelo menos meio século. Para abordarmos esse assunto tão complexo, dividimos o post em duas partes, como vocês já viram antes. Neste abordaremos os seguintes temas:

– O totalitarismo na Itália e Alemanha;

– Os efeitos da Primeira Guerra Mundial

– Os antecedentes do conflito

– O início e a guerra continental

De maneira arbitrária (mas que possui uma explicação coerente), cronologicamente falaremos dos acontecimentos até 1940. Do ano seguinte em diante vocês verão na parte 2.

O mundo pós-1918: o fascismo e o nazismo

HITLER MUSSOLINI

Mussolini e Hitler

O fascismo adquiriu mais força com a ascensão de Benito Mussolini ao poder em 1922, na Itália, mas, em outros países, regimes totalitários semelhantes também foram instituídos, como no Brasil, na Polônia, na Espanha e na Alemanha. Os tratados de paz assinados após o fim da Primeira Guerra recompensaram os vencedores, mas a Itália, apesar de fazer parte desse grupo, não se sentiu totalmente atendida. Os territórios coloniais perdidos pelo governo italiano não foram recuperados, além de não ter recebido largas parcelas das indenizações, haja vista que perderam quase 600 mil pessoas no conflito. Essas reivindicações frustradas eram uma das pautas principais dos nacionalistas, que se viam desmerecidos pelos países líderes como Inglaterra e França.

Outro problema foi a depressão econômica. A taxa de desemprego era alta, a industrialização permanecia precária devido aos conflitos e o poder de compra prejudicado pela inflação imprevisível. O Partido Socialista foi fortemente apoiado pela população e a ascensão da esquerda despertou o alerta dos conservadores. O Partido Fascista foi a saída encontrada por esses grupos para confrontar os ideais comunistas e socialistas. Intimidavam a oposição com ações armadas das esquadras, que destruíam reuniões sindicais e comícios, assim como qualquer atividade política das organizações de esquerda. Porém, a ação efetiva ocorreu no campo eleitoral, com a mobilização de milhares de apoiadores dos ideais fascistas. Um exemplo foi a “Marcha para Roma” em 1922, quando a cidade presenciou uma passeata de cerca de 50 mil camisas negras, os grupos militares do regime. Eles exigiam que Benito Mussolini presidisse o governo, o que ocorreu em 1924, com a sua eleição e o assassinato do principal opositor socialista, Matteoti. Em 1925, com o clima cada vez mais acirrado, Mussolini finalmente implantou uma ditadura.

Enquanto isso, a situação da Alemanha não era muito diferente. A derrota na Primeira Guerra prejudicou todos os interesses alemães, pois o Tratado de Versalhes assegurou o pagamento, de diversas formas, de todo o prejuízo que causaram incitando o conflito. Além disso, com a queda do império prussiano e a instituição democrática, a desconfiança da população só crescia. A República de Weimer, como foi chamado esse período, não era popular e a crise econômica ajudou a desestabilizar ainda mais o frágil conceito de democracia no país. Tanto a esquerda quanto a direita estavam descontentes com a maneira como o governo atuava, e promoviam manifestações com o intuito de mudar a situação política. Entre 1924-1929, o presidente Hindemburg conseguiu que o capital externo (leia-se americano) investisse no país, o que proporcionou alguns anos de respiro para a população. Contudo, com a Crise de 1929 e a queda da bolsa de NY, a economia voltou a piorar e com isso a insatisfação e o desemprego. O Partido Nazista encontrou, então, terreno fértil para se desenvolver e ascender. A classe trabalhadora o apoiava assim como a burguesia que temia o estabelecimento do comunismo. Vale lembrar que Adolf Hitler, líder do partido, tentou um golpe de estado em 1923, que fracassou e resultou na sua prisão. Nos anos encarcerados ele escreveu Mein Kampf (“Minha luta”), no qual destrinçava o que era a ideologia nazista. No campo político, se assemelhava ao fascismo ao negar o liberalismo, o socialismo e o comunismo, além da posição autoritária de querer exercer controle absoluto sobre o Estado e a população. Porém, a maior diferença residia no aspecto racial. O nazismo pregava a superioridade ariana e a eugenia, assim como o antissemitismo.

Depois de décadas de reveses econômicos na Alemanha, o Partido Nazista alcançou o poder em 1933, quando Hitler virou primeiro-ministro com alta taxa de popularidade. Com o incêndio do Reichstag (Parlamento alemão), o líder angariou apoio suficiente para exigir o poder e controle absoluto do governo, instaurando assim uma ditadura.

Com o banimento e perseguições das oposições, a ideologia eugenista nazista foi imposta a duras penas. Um exemplo foi o estabelecimento das Leis de Nuremberg em 1935, entre as quais judeus não seriam mais considerados cidadãos alemães. Essas restrições tornaram-se cada vez mais acirradas, com o assassinato de judeus e outras minorias como ciganos, ou mesmo os armênios, a destruição de sinagogas, culminando com a criação dos campos de concentração. Apesar das atrocidades cometidas pelos nazistas e que foram altamente denunciadas em um certo período da guerra, o holocausto não foi a causa primordial para que os Aliados lutassem contra o regime autoritário. Por muito tempo parte da opinião pública questionava a não intervenção ou bombardeio das rotas utilizadas pelos nazistas para transportar os prisioneiros em direção aos campos de concentração. O que se encontra nos documentos oficiais americanos é que tal manobra de guerra não fazia parte do plano e que não seria a melhor estratégia. Uma vez que as decisões fossem tomadas, uma mudança desse calibre só poderia ser aprovada se uma catástrofe ocorresse. O assassinato de minorias não era. Daqui tiramos várias conclusões: percebemos como os estratagemas militares são muito mais complexos e políticos do que se imagina e que o bem-estar (ou salvação) de populações muitas vezes não é prioridade.

Antecedentes: as consequências da Primeira Guerra Mundial

Tratado de versalhes

Reunião do Tratado de Versalhes, 1919

O que vimos até aqui foi um pouco da situação europeia antes do que viria a ser a Segunda Guerra Mundial. O Tratado de Versalhes de 1919, estabeleceu prerrogativas severas à Alemanha, sendo uma delas a desmilitarização. Ao longo das décadas de 1920 e 1930, a indústria bélica alemã ascendeu juntamente com o governo autoritário. O interessante é perceber a reação dos outros países europeus, como a Inglaterra e a França, que fizeram vistas grossas ao que estava acontecendo. O que propuseram foi uma política de apaziguamento, que demonstrava o esforço de não iniciarem outro conflito como o de 1914. O que não foi suficiente.

Entre os tratados assinados depois de 1918 que fracassaram estava a Liga das Nações, criada para estabelecer e manter a paz entre os países. Desde o início foi uma tentativa que se mostrou deficiente, pois os Estados Unidos, que se consolidou economicamente por causa do conflito, não assinou o acordo. As intervenções na Etiópia em 1935, pela Itália, e do Japão na Manchúria foram exemplos da falta de cumprimento dos acordos.

A ascensão nazista e sua ideologia de superioridade intolerante só se tornou um problema quando Hitler passou a adquirir cada vez mais poder. Por não concordar com o Tratado de Versalhes, o governo alemão conduziu sua política externa a partir da demanda, da conquista e do empoderamento de aliados. O apoio à guerra civil espanhola, a ocupação da Áustria em 1938, a ocupação militar da Renânia em 1936, a crise com a Tchecoslováquia na região dos Sudetos, foram exemplos dos movimentos alemães pela Europa, algo que não ficou incólume para URSS de Josef Stálin.

Como já dito, as estratégias políticas tanto para a guerra quanto para a paz, são complexas. Apesar de condenar a Alemanha e conversar com França e Inglaterra sobre a ocupação que os nazistas faziam no leste, a URSS também mantinha acordos com a própria a Alemanha, o chamado pacto germano-soviético. Desse modo, Stalin adiaria o conflito e negociava com Hitler a possível partilha da Polônia.

O início da guerra

Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia. Esse é o marco considerado como o início da que viria a ser a Segunda Guerra Mundial. A França e a Inglaterra declararam guerra contra a Alemanha no dia 03 de setembro de 1939. Tornou-se um conflito mundial devido aos variados interesses de manutenção dos territórios coloniais. Países africanos e asiáticos, por exemplo, já sofriam com domínios e invasões simultâneas, o que transformou o destino das populações locais. Mesmo assim, podemos dividir a Segunda Guerra em duas fases:

– 1939-1940: Guerra continental: caracterizada pelas invasões e bombardeios em solo europeu;

– 1941-1945: Expansão mundial: sobretudo com a entrada dos EUA na guerra com o ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941.

Além dessa divisão temos a clássica formação de dois grupos opositores:

Eixo: Alemanha, Itália, Japão;

Aliados: Inglaterra, França, URSS. Posteriormente os EUA, que forneciam armas e mantimentos, mas só entraram no conflito com força humana após 1941.

hitler frança

Hitler e o alto escalão nazista em Paris

A primeira fase foi marcada pelas conquistas de territórios. Após a Polônia, o exército alemão marchou para Paris, invadindo nesse ínterim, a Bélgica, Holanda, Dinamarca e Noruega. Os franceses e ingleses ainda imersos nas estratégias da Primeira Guerra, se entrincheiraram para receber os alemães. A escolha mostrou-se desastrosa numa época em que aviões caças e tanques blindados dominavam o novo poderia bélico. Em junho de 1940, a capital francesa foi tomada, simbolizando a potência do exército de Hitler. Foi o início da República de Vichy, na qual a parte sul do território permaneceu sob domínio francês e o norte e o seu litoral foram ocupados pelos alemães.

Todo esse movimento não foi passivo. A resistência francesa estava tanto no âmbito institucional, com as mensagens transmitidas via rádio pelo general Charles de Gaulle, do seu exílio na Inglaterra, quanto pela população que ficou na França. Os chamados maquis lutavam contra os nazistas, por meio de organizações secretas e muitos foram perseguidos e executados. Na Bélgica e Polônia também havia aqueles que lutavam contra o domínio nazista.

Enquanto a França era invadida, a Inglaterra sofria vários ataques aéreos pela Luftwaffe, a força aérea alemã. A RAF (Royal Air Force) inglesa rebatia o bombardeio e ainda defendia o Canal de Suez, domínio inglês, que era atacado pelos italianos. Para desestruturar a Inglaterra e o contato com suas colônias asiáticas, o Eixo também passou a controlar a região balcânica, a Grécia e a Iugoslávia.

A invasão francesa foi um ponto alto no caminho beligerante da Alemanha, mas que também inflou o ego do seu já egocêntrico comandante. Hitler pensou que os Aliados, sobretudo a Inglaterra, se renderiam. Contudo, o que presenciou foi um endurecimento dos ingleses, incitados pelas palavras do primeiro-ministro Winston Churchill. A resistência britânica, com sua secular marinha e a mencionada RAF, fizeram com que a estratégia alemã se modificasse.

Com a invasão polonesa e o avanço em direção à Europa Oriental, o pacto germano soviético foi quebrado. Devido às invasões, vários líderes se exilaram para evitar condenações e outros se tornaram refugiados. Os resistentes ao regime nazista passaram a se organizar em grupos bem armados e treinados. Os comunistas se auto intitularam partisans. Se utilizando de táticas de guerrilha, essas organizações conseguiram, muitas vezes, conter o avanço do Eixo. Além disso, difundiam e espalhavam propaganda contra o nazismo.

A Alemanha se sentia segura e empoderada o suficiente para enfrentar seu antigo aliado, a URSS. O ano de 1941 simbolizou uma mudança brusca no caminho alemão. Foi também o ano que modificou a história dos conflitos, que pareciam estar sob domínio nazista. No próximo post abordaremos esse período.

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Ana Carolina Machado

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