Segunda Guerra Mundial – Parte 2

bomba IIGM

– Introdução

No post anterior abordamos como se deu o início da Segunda Grande Guerra que durou de 1939-1945. Mostramos o empoderamento da Alemanha que, com as invasões do leste europeu e da França, angariou mais recursos naturais e desenvolvimento bélico, o que tornou a situação dos Aliados preocupante. Porém, em 1941 tudo mudou. Neste post discutiremos sobre:

– O ataque a Pearl Harbor;

– O declínio do Eixo;

– 1945 e as bombas atômicas.

– Itália e o norte da África

Já estipulamos que em 1941, tudo mudou para a Alemanha, a nação que comandava o Eixo. Contudo, não foi apenas o ataque à base havaiana de Pearl Harbor o principal fato do declínio alemão. As constantes derrotas italianas no norte da África também foram substanciais.

Em 1935, teve início da guerra Ítalo-Etíope, entre a colônia e sua metrópole. Em 1936, com o final do confronto, a Itália formou uma região colonial no continente, a África Oriental Italiana (AOI – Etiópia, Eritreia e parte da Somália). Com isso, o país estabelecia ali um forte posto militar, que o auxiliaria nas batalhas da década seguinte.

Em julho de 1940, a Itália começou sua ofensiva na região de Malta, no Mediterrâneo. A região da Grécia, sobretudo a ilha de Creta, batalhou contra as tropas de Mussolini. Não se sabe ao certo as motivações dos italianos em invadir a região, mas alguns livros discutem que o movimento seria uma reação às conquistas de Hitler.

Contudo, as investidas italianas não foram vencedoras como as alemãs. A armada britânica (British Commonwealth, formada por britânicos e membros das antigas colônias, como australianos e canadenses) forçou os italianos a saírem da Grécia no fim de 1940, os encurralando na Albânia, onde vários impasses fizeram com que constituíssem uma espécie de acordo entre as partes. Aqui temos mais um detalhe de qualquer guerra: mesmo inimigos, Aliados e Eixo não se furtavam em negociar territórios ocupados. Não importava quem seriam os moradores daqueles locais, suas etnias, crenças e culturas. A perspectiva de aumentar o poder de influência nos Balcãs era o principal aspecto que pensavam.

Em dezembro de 1940, os britânicos enfraqueciam cada vez mais a estabilidade italiana no Norte da África, sobretudo no Egito e na AOI. A Líbia foi invadida posteriormente pelas tropas italianas, que logo passaram a ser pressionadas. Todo esse problema da Marinha de Mussolini fez com que Hitler precisasse deslocar força humana e recursos bélicos para uma região que deveria ser tomada pelo seu parceiro.

Mesmo assim, o Eixo ainda era onipotente e conseguia danificar seriamente os Aliados, que nesse momento se resumia a British Commolwealth tentando reequilibrar as forças na Europa Ocidental, na África e parte do Oriente Médio, pois a França estava totalmente encurralada e invadida.

A URSS, percebendo o avanço japonês pela Ásia, assinou o Pacto de Neutralidade Soviético-Japonês, em abril de 1941. Foi uma tentativa de conter a poderosa aliança entre os nipônicos e os alemães, mas que se mostrou infrutífera. Devido a impasses entre os líderes, em junho de 1941, Hitler deu início à Operação Barbarossa, anunciada em tempo real através do rádio pelo seu braço direito e ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels, realizando sua antiga vontade de dominar a região soviética. O intuito era liberar toda essa área dos males do comunismo e se apoderar de todos os recursos naturais, haja vista a grande quantidade de petróleo e gás natural no local. Além disso, a intenção era libertar a região de “pessoas má desenvolvidas”, ideia que fazia parte do conceito de espaço vital (Lebensraum), reinterpretado e apropriado pelo discurso nazista endossado no Mein Kampf.

Apesar de algumas vitórias durante o verão, os alemães subestimaram o rigoroso inverno russo, que enfraqueceu exponencialmente a força humana, além de invalidar algumas armas bélicas. Em dezembro de 1941, foi autorizada a invasão de Moscou, que simbolizaria o domínio do território. Porém, as tropas nazistas enfrentaram no clima um adversário mortal e na URSS a sua rapidez em estabelecer um exército de 500 mil homens, que expulsaram os inimigos. O que começou como uma operação triunfante tornou-se um pesadelo. As perdas foram significativas, não só na quantidade mas como no sentimento da guerra. Os Aliados perceberam uma rachadura na então quase indestrutível armada do Eixo.

– 07/12/1941 – A mudança

Os EUA mantiveram-se ao lado dos Aliados desde o início, financiando a guerra tanto com material bélico quanto com mantimentos e produtos de primeira necessidade. Além disso, com toda a energia da Europa voltada às batalhas, o desenvolvimento industrial norte-americano atingiu novos patamares. Ou seja, estrategicamente estiveram à margem, se beneficiando da geografia dos conflitos.

Apesar disso, o governo americano aumentou sua frota naval e aérea, e estabeleceu mais áreas de influência no Pacífico. Esse movimento foi percebido pelos japoneses, que se tornaram reticentes com a dominação paulatina da Ásia. Os EUA não criavam colônias, como os europeus fizeram ao longo do século XIX. Eles criavam sociedades dependentes do seu poder, influenciando governos, assinando alianças e acordos. Desde a década de 1920, com a expansão japonesa pelo continente asiático, uma possível guerra tornava-se iminente. Em 1931, o Japão atacou e se apossou da Manchúria, criando mais atritos com a China, parceiro dos EUA e de outras nações, como o Reino Unido e a França.

O governo japonês planejou e executou alguns ataques a bases navais americanas, como a USS Panay e também o massacre a chineses. Houve um auxilio militar para a região por parte dos países amigos, mas a força nipônica preocupava os EUA. Foram elaborados vários pactos e tratados de não-agressão que forçavam o Japão a abandonar as bases na China. Porém, todos esses acordos não os favorecia, o que inviabilizou as negociações.

Durante a guerra, em 1941, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt ordenou que a frota militar do Pacífico, que ficava em San Diego na Califórnia, fosse deslocada ao Havaí, em uma tentativa de atemorizar os japoneses. Por meio da inteligência americana, descobriram os planos do Japão de invadirem as Filipinas logo após sua bem sucedida invasão à Indochina. Foi uma espécie de guerra estratégica, sem o envolvimento aberto das duas nações. Eles moviam peças no grande tabuleiro de xadrez que era a Ásia, enquanto Alemanha e Reino Unido se exauriam na Europa. Foi nesse período que a guerra se tornou mundial. Pela primeira vez, todos os continentes estavam envolvidos no conflito. Se em 1939, com a invasão da Polônia, o discurso dos Aliados para lutarem contra a Alemanha residia na intenção de eliminar o mal nazista do mundo, três anos depois, no Pacífico, a ideia era diferente.

 

USS Weste Virginia IIGM

Ataque ao USS West Virginia

Em 07 de dezembro de 1941, logo após o sol nascer, a Marinha e a Força Aérea americana foram acordadas pelo ataque japonês à base naval de Pearl Harbor, assim como nas Filipinas, na Tailândia, na Malásia e em Hong Kong. Não houve nenhuma declaração formal de guerra antes do ataque. Ela chegou primeiramente aos jornais japoneses um dia depois.

Apesar do ataque coordenado, Pearl Harbor sofreu os maiores danos. Dez bases foram o alvo. Algumas, como a USS California, USS Nevada e USS Arizona foram totalmente destruídas. Quase 3000 soldados americanos morreram, e centenas ficaram feridos.

 

USS California IIGM

Naufrágio do USS Califórnia

No dia seguinte, Roosevelt discursou para a nação e os outros países, declarando guerra ao Império do Japão e, por consequência, ao Eixo. A entrada dos EUA na guerra mundial, com todos os recursos que poderiam desprender e a vantagem de não batalharem no próprio território, modificou as faces do conflito.

– O declínio do Eixo

Outras frentes dos Aliados surgiram na Europa, auxiliando a minar o poder do Eixo aos poucos. No fim de 1941, o exército britânico já neutralizava a influência italiana no norte da África, obrigando a Alemanha a deslocar mais forças para a região. Em 1942, o Japão viu seus códigos militares serem decifrados, entregando todo o estratagema de guerra. O ataque ao Alasca foi totalmente destruído pelos americanos, por exemplo.

Ao mesmo tempo em que o Japão sofria em manter suas forças no Pacífico, a Alemanha enfrentava reveses na Europa e na África, auxiliando os italianos.  Com a Frente Oriental, quase alcançou sucesso na tomada dos poços de petróleo da região do Cáucaso, obrigando Stalin a desprender cada vez mais tropas para se defender. Contudo, os alemães pareciam ter esquecido do clima russo. A partir da Ucrânia, o Eixo resolveu invadir todo o território entre o Mar Cáspio e o Mar Morto, sentido aos férteis campos petrolíferos. A estratégia soviética foi formar uma linha de frente em Stalingrado, que ficava no caminho. A primeira ofensiva foi vencida pelos alemães, que quase dominaram por completo o local. Contudo, a segunda ofensiva soviética, em novembro de 1942, marcou uma das grandes derrotas de Hitler.

Batalha de Stalingrado

A Batalha de Stalingrado

A Batalha de Stalingrado é considerada uma das mais sangrentas de toda a guerra. Quase 2 milhões de soldados e civis foram mortos em uma guerra majoritariamente urbana. O 6º exército alemão foi completamente destruído, enfraquecendo mortalmente toda a ofensiva ao longo do leste europeu. O inverno russo, novamente, mostrou-se uma arma letal, mas isso não diminuiu a força do Exército Vermelho, que soube ler as fraquezas do inimigo. Muitos descrevem o declínio nazista como parte da megalomania de seu líder, que mesmo contra todas as possibilidades, ordenou uma invasão tão arriscada.

Stalingrado

Apesar da derrota, durante 1943, Hitler e seu exército planejaram mais um ataque ao planalto central russo, que acabou antes mesmo de ser efetivado. As tropas do Eixo foram esgotadas pela bem treinada armada de Stalin, o que fez com que a Alemanha recuasse antes de tentar qualquer movimento mais arriscado.

A URSS derrotou a ofensiva alemã, os forçando a voltar para Berlim. Apesar de serem da mesma aliança, Stalin várias vezes mostrou-se impaciente com a falta de solidariedade dos outros países com os conflitos no leste europeu. Alegando falta de recursos, o Reino Unido muitas vezes se esquivou de enviar ajuda. Contudo, a pressão soviética tornou-se latente com a entrada dos EUA na guerra.

Em 1943, os Aliados tornavam-se mais fortes e organizados, estabelecendo grandes frotas em diversas regiões da Europa. A Sicília, ilha ao sul da Península Itálica, foi invadida e tomada, resultando na prisão de Mussolini, que logo depois foi resgatado pelos nazistas. No continente, os italianos sofreram outra derrota e parte do território foi apossado pelos Aliados. Aqui vale o destaque da FEB (Força Expedicionária Brasileira) que atuou na Batalha do Monte Castelo, entre 1944 e 1945, contendo as forças alemãs ao Norte da Itália.

Monte Castelo IIGM

Apesar de toda a ofensiva dos Aliados contra o Eixo no leste europeu, na África e no Mediterrâneo, havia um território que ainda estava sob domínio nazista: a França.

No dia 6 de junho de 1944, ocorreu o Dia D, uma das ofensivas mais conhecidas de toda a Segunda Guerra Mundial.

Praia de Omaha - Normandia IIGM

Praia de Omaha – Normandia

Também conhecido como Operação Overlord ou Operação Netuno, consistiu na tomada da praia de Omaha, na Normandia, norte da França, por quase 100 mil soldados aliados, entre britânicos, canadenses, americanos, milhares de navios, porta-aviões, aviões e aparatos bélicos para a derrocada final da Alemanha e a recuperação da França.

Omaha foi escolhida por ser uma das regiões mais bem guardadas pelos alemães. Contudo, a ideia inicial era avançar para o leste francês a partir dos Balcãs, o que desagradou Stalin. Tal empreitada necessitaria do envolvimento profundo do Exército Vermelho, que já tinha derrotado o Eixo na Europa Oriental. Após várias discussões, decidiram que a maneira mais fácil seria aportar no norte da França, atravessando o Canal da Mancha.

Ao derrotarem o exército alemão em Omaha, os Aliados seguiram conquistando o litoral e rumaram para Paris, que seria a derrota simbólica dos nazistas. Em 25 de agosto de 1944, finalmente, a Cidade Luz foi libertada.

Libertação de Paris IIGM

Libertação de Paris

Após esse episódio, aos poucos, os Aliados foram minando o Eixo na Europa, e os EUA travavam sua batalha contra o Japão na Ásia. A última tentativa desesperada de Hitler foi uma ofensiva na região das Ardenas, na Bélgica, em dezembro de 1944. Ele deslocou toda sua força restante e foi derrotado um mês depois.

Em janeiro de 1945, a URSS invadiu a Polônia e foi dominando o leste europeu, enquanto Reino Unido e França iam conquistando o oeste. A configuração da guerra na Europa já estava dada, só faltava a rendição formal da Alemanha. Em fevereiro de 1945, as primeiras reuniões da Conferência de Yalta ocorreram na Crimeia. Roosevelt, Stalin e o primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, decidiram a nova geografia econômica e política dos territórios invadidos pelo Eixo, as zonas leste e oeste da Europa e como lidariam com os outros continentes.

Churchill, Roosevelt e Stalin em Yalta IIGM

Churchill, Roosevelt e Stalin em Yalta

Em abril, Aliados ocidentais e soviéticos invadiram a Alemanha por lados opostos e se encontraram ao longo do rio Elba. Com a tomada do Reichstag, em 30 de abril de 1945, foi simbolizada a derrota oficial do Terceiro Reich e Hitler se suicidou. Em 8 de maio foi ratificado o tratado de rendição alemão.

Porém, a guerra não estava terminada. No Pacífico, os EUA e Aliados ainda enfrentavam as forças japonesas, isoladas com a derrota de seus parceiros.  Os americanos invadiram o Japão em episódios conhecidos, como a Batalha de Iwo Jima, uma ilha que ficou ocupada pelos ocidentais até 1968, onde ficava o controle aéreo da região. Dessa forma, os EUA mantiveram a posse e puderam estabelecer novas estratégias para derrotar o Império.

Invasão de Iwo Jima IIGM

Invasão de Iwo Jima

Muito se fala das invasões nazistas pela Europa, da barbárie cometida, mas em uma guerra esse é o modo de operação prioritário: destruir para conquistar. No Japão, os EUA destruíram cidades inteiras e mataram civis. Bloquearam o fornecimento de comida da população no momento em que impediram as importações.

Em agosto de 1945, mais uma vez a guerra foi simbolicamente finalizada, com o ataque atômico às cidades de Hiroshima e Nagasaki. Oficialmente a guerra só acabou com a rendição japonesa assinada em setembro. Finalmente a Segunda Grande Guerra havia terminado.

Várias observações podem ser feitas, mas uma bem interessante é enxergar como os discursos mudam ao longo do tempo. Em 1939, era um mundo contra a barbárie nazista. Em 1945, foram os “mocinhos” que destruíram duas cidades e assassinaram mulheres e crianças.

Entre agosto e setembro de 1945, ocorreu a Conferência de Postdam, na Alemanha. Nela, foram definidos os rumos da Europa e dos territórios afetados pelo conflito, além da punição à Alemanha e o que fariam com seus espólios. A Segunda Guerra Mundial modificou sensivelmente o teatro político mundial.

Ana Carolina Machado de Souza

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– Dicas:

A filmografia sobre a Segunda Guerra Mundial é riquíssima. Desde as visões Hollywoodianas sobre o conflito, passando sobre o terror dos povos subjugados pelos nazistas, assim como as consequencias de tudo o que ocorreu. As indicações aqui nem arranham a superfície. A ordem foi bem arbitrária: gosto pessoal.

 – Band of Brothers (série – 2001)

Série veiculada pela HBO, produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks, conta a história de um batalhão se preparando para os eventos do Dia D.

– Lista de Schindler (filme – 1993)

Dirigido por Steven Spielberg, o aclamado filme conta a história do empresário alemão Oskar Schindler, que empregou judeus em suas fábricas, os salvando do Holocausto.

– O Jogo da Imitação (filme – 2014)

O filme conta a história do matemático Alan Turing, o inventor do primeiro computador. Construiu a máquina que decifrou o código da Enigma, usada pela Alemanha. Foi condenado por ser homossexual, considerado crime na Inglaterra.

– Cartas de Iwo Jima (filme – 2006)

Dirigido por Clint Eastwood, lida com a Batalha de Iwo Jima

– A Conquista da Honra (filme – 2006)

Também dirigido por Eastwood, neste filme ele mostra o que seria a versão norte americana da Batalha de Iwo Jima

A Queda: As Últimas Horas de Hitler (filme – 2005)

Baseado em textos historiográficos e documentos deixados pela secretária de Hitler, conta a história de como o líder nazista viveu o declínio do seu império.

 

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