Império Bizantino

Império Bizantino foi o nome dado ao Império Romano do Oriente, que teve sua sede na cidade de Bizâncio, que depois foi renomeada Constantinopla e hoje é a atual Istambul, na Turquia. Seu início ocorreu com a desintegração do Império Romano do Ocidente (que acabou em 476) e durou até 1453, quando sofreu a invasão dos turcos otomanos.

Antes de apontarmos as influências bizantinas na cultura europeia do Mediterrâneo, temos que entender as condições do Império Romano nos seus últimos séculos. Com a expansão territorial, a centralização do poder na figura do imperador se tornou uma tarefa impossível. A administração teve que ser fragmentada, e todas as instituições burocráticas e os servidores, os militares, responsáveis pela segurança das fronteiras, eram sustentados pelo Estado. Os recursos e impostos arrecadados ficavam cada vez mais escassos.

A pulverização da estrutura administrativa social auxiliou o surgimento das disputas de poder por famílias locais, o que prejudicou a unidade do Império. As invasões bárbaras contribuíram para o deslocamento da máquina política administrativa de Roma para o Oriente Próximo, o que aconteceu no governo de Diocleciano (284-305). Além de ter criado o Édito de Máximo, que fixou os preços de produtos de necessidade básica e de salários para conter a inflação, também instituiu, politicamente, uma Tetrarquia – cada capital recebia um Imperador (Augusto) e um governante (César):

–  IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE – Capital: Roma – Diocleciano/ Constâncio

IMPÉRIO ROMANO DO ORIENTE – Capital: Bizâncio – Maximiano/ Galério

Mas ainda não era uma divisão definitiva e só sobreviveu com Diocleciano. Com a entrada de Constantino, vemos a singularização do poder novamente, mas com uma mudança essencial: Bizâncio se tornou Constantinopla e a capital do Império como um todo. Foi uma decisão que demonstrava o enfraquecimento de Roma e da parte ocidental, que sofria com ataques constantes dos bárbaros. Constantinopla se mostrou a opção mais segura para o estabelecimento do aparato político e econômico, mas também consolidou a queda de Roma.

Foi no governo de Constantino que algumas medidas tomadas transformaram a história ocidental, como a assinatura do Édito de Milão, em 313, que proibiu a perseguição aos cristãos. 300 anos depois do nascimento de Jesus Cristo e da disseminação da sua doutrina, o crescimento do número de cristãos e de fieis importantes politicamente, que possuíam alguma influência na sociedade, fez com que a religião fosse reconhecida pelo Estado. Foi apenas em 391, com o Édito da Tessalônica, que o Cristianismo se tornou oficial e a única crença do Império. Isso ocorreu no governo de Teodósio, que também assinou a separação permanente entre o Ocidente e Oriente, em 395. Temos, então, o surgimento do Império Bizantino.

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A principal característica que manteve o Império Bizantino vivo enquanto o Romano desfalecia foi a capacidade de manter o poder centralizado e a economia sob controle, e isso se deu com a repartição das terras entre Estado e aristocracia, o que causava uma concentração fundiária e eliminava a competição das pequenas propriedades. Isso foi possível, pois a principal atividade econômica era o comércio, diferentemente da parte ocidental que dependia muito dos excedentes agrícolas para a economia.

O comércio foi uma das contribuições para o Ocidente, pois o Oriente Próximo era conhecido tradicionalmente por possuir grandes comerciantes. Enquanto a Europa se voltava para a ruralização feudal, o Oriente manteve as atividades comerciais vivas e que foram essenciais para a retomada das rotas mercantis no período renascentista, por exemplo.

Como instituição política, o Império Bizantino viveu sua consolidação no governo de Justiniano, que fortaleceu o Estado e criou uma série de códigos e medidas que também inspiraram a organização ocidental, como o Corpus Juris Civilis, que foi uma espécie de código civil, uma compilação das leis que já vigoravam no país há alguns séculos e a nova legislação justiniana, comentada por especialistas da época.

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Mosaico de Justiniano e seu séquito

Essa perspectiva centralista foi muito auxiliada pelo crescimento do Cristianismo como instituição religiosa e o estabelecimento da Igreja cristã. O Imperador era também considerado o patriarca, assim, possuía jurisdição e poder de decisão mesmo com a figura do Papa. Essa prática recebeu o nome de Cesaropapismo, o imperador, ao se tornar aos olhos da fé e da instituição, a manifestação de Deus, adquiria o reconhecimento do seu papel como centralizador do poder.

Um exemplo que marca esse período de desenvolvimento da Igreja foi a construção da catedral de Santa Sofia.

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Catedral de Santa Sofia – Istambul, Turquia. Os minaretes foram inseridos após a dominação islâmica. Hoje em dia é um museu. 

A catedral representava o poder da igreja oriental, o que causou conflitos com a sede em Roma. Com o fim do Império Romano e a consolidação dos governos bárbaros, a Igreja passou a ser protagonista na Europa. Para o estabelecimento da Dinastia Merovíngia, por exemplo, os lideres francos realizaram alianças com os membros cristãos. Portanto, com o passar do tempo, o poder do papa se fortalecia.

O cesaropapismo e o acúmulo de funções que o patriarca tinha causou antagonismos com os representantes romanos. Essa disputa tinha fundo basicamente político mas foi traduzida em algumas mudanças litúrgicas com o episódio conhecido como Cisma do Oriente, ocorrido em 1054. Foi a separação da Igreja em:

– Igreja Ortodoxa Grega

– Igreja Católica Romana.

Foi a primeira grande divisão que a Igreja Católica sofreu, sendo seguida em importância e tamanho pela Reforma Protestante no século XVI.

Culturalmente, o Império Bizantino influenciou as instituições ocidentais com a herança arquitetônica, literária, filosófica, artística que originavam da Grécia Antiga.

Ana Carolina Machado de Souza

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