República Romana – Parte 2

Com a conquista de terras e de pessoas, após o processo de expansão romana, a sociedade sofreu um processo de transformações. O aumento no número de escravos, muito utilizados na agricultura e em algumas atividades urbanas, causou um grande êxodo rural, pois os pequenos produtores acabaram perdendo espaço e mudaram para as cidades à procura de uma nova fonte de renda.

Das novas relações comerciais com as províncias conquistadas, formou-se uma camada de grandes comerciantes romanos que, apesar da fortuna, não podiam participar ativamente da política. O cenário então para os patrícios que comandavam os rumos da política não estava mais tão favorável: havia pressões tanto dos camponeses destituídos de suas terras e que se tornaram desempregados nas cidades, quanto dos grandes comerciantes, desejosos de uma maior participação nas decisões fundamentais para a sociedade. Assim, a falta de terras, a desigualdade social e o crescimento desordenado das cidades agravou o quadro de tensão social.

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Mosaico romano com representação dos escravos

Foi nesse momento que dois tribunos da plebe, Tibério e Caio Graco, trouxeram algumas ideias para solucionar a crise, propondo, em 133 a.C., uma reforma agrária, além de outras proposições de caráter popular. Os patrícios não gostaram da ideia e vetaram a distribuição das terras e acabaram assassinando Tibério e vários de seus seguidores.

Mas as ideias de reforma agrária continuaram e, dez anos depois, Caio Graco, reeleito Tribuno da Plebe, retomou o projeto e ainda propôs, em 123 a.C., a Lei Frumentária, que determinava o fornecimento de trigo e pão para a população pobre de Roma a preços reduzidos. Mais uma vez, os patrícios reagiram e houve choques com os plebeus, resultando na morte de Caio Graco e no aumento da tensão social.

Crise da República

Para dominar e comandar um território tão vasto quanto aquele dominado pelos romanos após a expansão, o Exército foi ficando cada vez mais fortalecido, o que acabou tendo grandes consequências para a política romana.

Diante do contexto de crescente tensão social, os generais passaram a ter cada vez mais prestígio, ocupando cargos políticos e tendo o apoio da população, já que vários deles tinham uma origem plebeia e se aproximavam de seus interesses.

No caso dos generais Mário e Sila, diferentes interesses estavam em jogo na disputa pelo poder: enquanto o primeiro se ocupava das aspirações das camadas inferiores, o segundo se alinhava com os desejos dos patrícios. Das disputas entre os dois, Sila saiu vencedor e se proclamou Ditador, em 89 a.C.

Com sua renúncia, em 79 a.C., em razão de sua idade avançada, o poder foi disputado por diferentes grupos e, em 60 a.C., a solução encontrada foi a formação do Primeiro Triunvirato, composto pelos generais Júlio César, Pompeu e Crasso.

Em 53 a.C., Crasso morreu, o que causou novas disputas pelo poder entre os outros dois generais que compunham o Triunvirato, tendo como vencedor Júlio César. Em 46 a.C., ele se autoproclamou Ditador Vitalício, concentrando todo o poder em suas mãos, o que desagradou o Senado. Como resultado de uma conspiração, Júlio César acabou assassinado por Brutus (daí a expressão “até tu, Brutus, meu filho?”, já que Brutus era filho adotivo do ditador, a quem ele confiava não participar da conspiração).

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Busto de Júlio César (Museu Arqueológico Nacional de Nápoles)

A morte do ditador causou grande comoção popular, pois ele havia estabelecido a paz em Roma, ao limitar o poder dos patrícios. Outro general, Marco Antônio, se aproveitou da situação, se apropriando da popularidade de Júlio César, e, juntamente com Otávio (sobrinho do antigo ditador) e Lépido (chefe dos cavaleiros), formou o Segundo Triunvirato, em 43 a.C.

Nesse período, mais uma vez, procurou-se afastar o Senado do poder, mas o equilíbrio entre os governantes durou pouco: Lépido foi afastado, Otávio acabou ficando responsável pelo comando do território ocidental de Roma e Marco Antônio do oriental. Os dois logo romperam relações quando o segundo se aliou a Cleópatra, rainha do Egito e Otávio, por sua vez, passou a contar com o apoio dos membros do Senado.

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Cleópatra e César (1866), Jean-León Gerôme. O relacionamento de Otávio e a rainha Cleópatra se tornou tema para várias obras, inclusive filmes.

Em 32 a.C., Otávio derrotou as tropas de Marco Antônio e se apossou do território egípcio, tomando posse então de imensas riquezas. Senhor absoluto, ele recebeu do Senado os títulos de príncipe e de imperador de Roma, acumulando cargos que lhe garantiram plenos poderes. Assim, em 27 a.C., para reforçar seu domínio, ele se intitulou augustus, o divino, título que lhe atribuía poderes divinos e estabelecia o culto a sua figura. Inaugurava-se, assim, um novo regime e uma nova fase do predomínio romano, o Império.

Para saber mais:

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002.

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