Idade Média – a Alta Idade Média e a Dinastia Merovíngia

O conceito de Idade Média foi criado a partir da noção de que a Antiguidade Clássica e o Renascimento constituíram o ápice do desenvolvimento do homem. Essa concepção criada pelos modernos atribuía ao período medieval uma época de estagnação, de atraso, preconceitos materializados com a alcunha de “Idade das Trevas”. Os medievalistas demonstram, contudo, que essa ideia não corresponde ao período, que nos trouxe um desenvolvimento cultural enorme. Um exemplo: as universidades surgiram na Idade Média, a centralização monárquica, com as Monarquias Nacionais e a criação dos Estados europeus. Como durou 1000 anos, do século V ao XV, foram diversas as transformações e consolidações vividas pelo homem, desde a ruralização até a retomada do comércio. Portanto, pensar nessa época como obscura e estagnada não é só errôneo como anacrônico.

mapa-alta-id-media

Mapa da Alta Idade Média

Neste post, vamos falar de um episódio específico da Alta Idade Média, a invasão da Gália pelos francos e a Dinastia Merovíngia. O fim do Império Romano foi marcado pelas invasões bárbaras aos territórios imperiais, sobretudo nas fronteiras mais longínquas à Roma e Constantinopla. A divisão de poderes entre Oriente e Ocidente enfraqueceram o comando central do Império e auxiliou os povos “bárbaros” a conquistarem as regiões que sofriam com a falta de segurança institucional. É o início da conhecida Alta Idade Média, período muito mais de continuidades do que mudanças abruptas. Porém, antes de discorrermos sobre a região francesa, temos que entender o termo bárbaro. Nesse caso, a ideia está relacionada ao que chamamos de alteridade, ou seja, o conhecimento sobre o outro. Com o tempo, o conceito de bárbaro ganhou o significado de não-civilizado, bruto, belicoso. Porém, eram os não romanos, isso quer dizer: germânicos, visigodos, godos, etc. Assim como no passado haviam sido os não gregos, ou seja, macedônios, persas. Estes, por exemplo, chamavam de bárbaros, e de maneira pejorativa, os turcos.

Esses povos possuíam uma organização social o suficiente para abalarem as estruturas dos impérios e governos vigentes. Os Francos, como ficaram conhecidos os bárbaros que invadiram a Gália, região da atual França, foram considerados diferenciados por causa da centralização política, que ajudou no processo de estabelecimento no território invadido.

Além disso, outra disposição importante foi a aliança construída com a Igreja Católica. Com o fim de Roma, as instituições políticas se desfaleceram, e a única instituição que sobreviveu, e que se desenvolveu e se fortaleceu, foi a Igreja. A união foi prova da sagacidade do rei franco Clóvis, que sabia que seu poder não seria consolidado sem qualquer tipo de absorção das estruturas locais. Ou seja, para que o novo governo franco se estabelecesse na região, eles precisavam do apoio da população. Para isso, seus costumes e tradições não poderiam desaparecer de uma hora para outra. Portanto, ao se converter, Clóvis determinou o caminho do seu governo e conseguiu consolidar a tomada da Gália. Foi o início da Dinastia Merovíngia.

francos

O primeiro rei franco a invadir a Gália foi Meroveu, mas foi somente com Clóvis, entre 481-511, seu neto, e suas vitórias contra os resistentes à invasão, que a Dinastia surgiu. Um dos grandes feitos foi a imposição da estrutura política própria dos francos, com a divisão do território em condados. Dessa forma, a administração foi fragmentada, facilitando o controle central com a designação dos cargos à figuras de confiança. Essa movimento foi importante, pois atribuiu muito poder à nobreza franca, demonstrando uma das principais características da Idade Média, que foi a descentralização administrativa e o poder crescente da nobreza. Major Domus foi o nome dado à instituição que os nobres coordenavam, e a sua existência fez com que o poder dos reis fosse menor do que conheceríamos no Absolutismo ou mesmo na época do Império Romano. Dessa forma, os reis francos foram conhecidos como reis indolentes.

arte-merovingia

Joia merovíngia – séc. VI-VII

A dualidade de poder se tornou mais latente com a Batalha de Poitiers, de 732. Já no século VII, com Pepino de Heristal, um dos nobres que comandavam a Major Domus, ficou tão fortalecido que transformou o seu cargo em hereditário e vitalício, além de desliga-lo de qualquer jurisdição real. Isso demonstrava o poder que a nobreza alcançou. No século VIII, a França sofreu uma tentativa de invasão árabe, que foi abafada pelas tropas coordenadas por Carlos Martel, filho de Heristal. A batalha estreitou ainda mais a aliança com a Igreja Católica, pois livrou a região do domínio muçulmano, e fortaleceu uma nobreza que já dominava a política do país.

A Dinastia Merovíngia se viu mortalmente abalada pelos acontecimentos em Poitiers. Pepino, o Breve, filho de Martel, desferiu o golpe final, ao destituir o rei merovíngio e dar início a outra dinastia na França, a Carolíngia.

Foi a partir desse período que temos o processo de feudalização do país, além do desenvolvimento cultural, com o Império Carolíngio e o chamado Renascimento Carolíngio.

Ana Carolina Machado de Souza

Anúncios
Esse post foi publicado em Idade Média e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s