A Pré-História – Surgimento do homem e Período Paleolítico

Os historiadores do século XIX acreditavam que a História só poderia ser feita e estudada por homens que praticavam a escrita. Tal constatação levou à exclusão de homens e mulheres “comuns”, analfabetos de seu papel como sujeitos históricos, pessoas cujas ações transformam o rumo das coisas. Além dessa exclusão, uma segunda foi feita: os homens que não conheciam a escrita (os chamados homens das cavernas) também não poderiam ser considerados como parte ativa da trajetória do mundo. Assim, no momento em que tais historiadores decidiram dividir a História em “Idades”, o período em que viveram os primeiros homens foi considerado um episódio “anterior” à História propriamente dita, isto é, foi chamado de “Pré-História”.

A História começaria apenas quando o homem inventou a escrita, tornando possível o estudo de suas ações e demonstrando o uso da inteligência do homem. Do surgimento dos primeiros humanos à invenção da escrita então temos o chamado período pré-histórico, que ainda pode ser dividido em dois momentos diferentes: Paleolítico e Neolítico.

Tal divisão da História dá conta de milhões de anos, cujo conhecimento somente é possível graças aos estudos de arqueólogos e paleontólogos que nos fornecem informações que normalmente são aproximadas, dada a impossibilidade de qualquer exatidão quando se fala de períodos tão remotos. Além disso, esses conhecimentos estão em constante modificação, pois a todo momento novas descobertas são feitas, transformando todo o conhecimento anterior.

Um dos momentos mais importante para o conhecimento da evolução do homem (depois da conclusão de Charles Darwin de que o homem e o macaco possuíam um ancestral comum, em 1859) foi a descoberta de um fóssil, no deserto de Afar, na Etiópia, que ficou conhecido como Lucy, em 1974. O nome se deve à canção dos Beatles Lucy in the sky with Diamonds, que foi tocada durante as comemorações da descoberta. Os cientistas conseguiram recuperar quase 40% do esqueleto de Lucy, um hominídeo bípede, da família dos Australopithecus, de aproximadamente 3 milhões de anos.

lucy

Esqueleto da Lucy, exposto no Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México. Existem réplicas do esqueleto em alguns museus do mundo.

Cinco anos depois outra descoberta foi essencial para definir como se deu a evolução dos hominídeos. Os cientistas encontraram pegadas fossilizadas de cerca de 6 milhões de anos, que demonstravam que espécies de primatas teriam liberado as articulações superiores da função locomotora para outras atividades e movimentos. Gradativamente, foram sendo realizadas interações das mãos com o sistema cerebral, num longo processo de desenvolvimento evolutivo, chamado de hominização, que, no entanto, não foi linear nem uniforme.

Para que os primatas pudessem ser considerados humanos, outras modificações foram necessárias, frutos do processo seletivo natural, como o crescimento da caixa craniana, a visão binocular (através dela, os hominídeos aprimoraram a capacidade de ver uma imagem única com os dois olhos, avaliar distâncias e enxergar em três dimensões) e o deslocamento contrário dos dedos polegares (nos pés, numa posição paralela, para tornar possível um maior apoio para o corpo, e nas mãos, numa posição oponível, que permitia agarrar os objetos).

O processo de desenvolvimento evolutivo do homem durante o Período Paleolítico, ou Idade da Pedra Lascada, que se iniciou há 3 milhões de anos e cujo término é estimado em torno de 10 000 a.C., envolveu, principalmente, a interação entre as mãos e os olhos, permitida pelo desenvolvimento do sistema nervoso do cérebro em expansão. Tal cooperação possibilitou ao homem a fabricação das primeiras ferramentas e utensílios. E, nesse período, a matéria-prima usada pelos homens foram ossos, madeira e lascas de pedra.

Homo habilis

Após a evolução que permitiu ao hominídeo andar somente sobre os pés, o Homo habilis (“homem hábil”) passou a utilizar as mãos para trabalhar as pedras e construir ferramentas que auxiliavam as atividades de caça e coleta. Viviam na África em grupos de 15 a 20 indivíduos, levando uma vida nômade.

Homo erectus

Há cerca de 1,5 milhão de anos, desenvolveu-se no continente africano o Homo erectus (“homem ereto”), que foi capaz de aperfeiçoar as ferramentas e elaborar novas maneiras de trabalhar as pedras. Entre 500 mil e 400 mil anos atrás, ele também foi responsável pela domesticação do fogo. Ele foi o primeiro a descobrir uma forma de fazer o fogo, não sendo mais tão dependente da natureza. Com esses conhecimentos, o homem passou a se deslocar pelo continente africano.

Homo neanderthalensis

Apareceu por volta de 100 mil anos atrás e leva esse nome por ter sido encontrado no lago Neander, na Alemanha. Ele possuía capacidade de fala e realizava rituais religiosos, cuidava dos idosos e das crianças e deixou muitos vestígios de sua ação, através das pinturas rupestres.

Homo sapiens

Entre 200 e 100 mil anos atrás, teria surgido o Homo sapiens (“homem inteligente”), nosso ancestral direto. Ele desenvolveu utensílios de madeira e pedra e aproveitou outros materiais para isso. Demonstrou grande capacidade de adaptação, vivendo em diferentes tipos de habitats e foram também os primeiros a demonstrar sinais de manifestações artísticas e culturais.

Os homo sapiens povoaram lentamente o mundo e a partir de 10.000 a.C. eles podiam ser encontrados nas mais variadas partes do mundo.

Charles Darwin in 1881

Charles Darwin, com seu livro “A origem das espécies” foi o primeiro a afirmas que o macaco e o homem possuíam um ancestral comum.

Caçadores e coletores

Os homens do Período Paleolítico são chamados de coletores e caçadores, pois viviam somente daquilo que a natureza oferecia, o que lhe forçava a se mudar constantemente à procura de novas presas e novas fontes de coleta, ou seja, eram nômades. Viviam em grupos de 20 a 30 pessoas e dividiam-se entre si na caça e na coleta, fortalecendo um elo social.

Acredita-se que havia uma divisão de trabalhos entre homens e mulheres, mas os antropólogos destacam a existência de certa igualdade entre eles. As mulheres, por serem responsáveis pelos cuidados com as crianças, permaneciam nos acampamentos, coletando raízes, grãos e frutos, e defendendo o grupo de ataques de animais, enquanto os homens saíam para caçar e pescar.

Com a domesticação do fogo, que ocorreu por volta de 500 mil anos atrás, o homem passou a ter maior capacidade de adaptação, pois podia suportar as noites frias, podendo se deslocar para regiões cada vez mais frias. Além disso, o fogo afugentava animais, permitia que os alimentos fossem cozidos e, mais tarde, tornou possível a manipulação de metais. Assim, a fabricação de ferramentas e a utilização do fogo denunciam a capacidade de adaptação cultural do homem.

Ao longo desse processo evolutivo, o homem também demonstrou a necessidade de se comunicar através da fala e também de manifestações artísticas, como as pinturas rupestres, que são pinturas feitas em superfícies rochosas que demonstram aspectos do cotidiano do homem pré-histórico. Até hoje, muito se discute sobre a natureza e o caráter dessas pinturas, mas é certo que tais manifestações demonstram que esses homens não estavam apenas sobrevivendo, mas transformando a natureza ao seu redor e deixando seus vestígios no mundo.

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