O Império Otomano

O Império Otomano foi um dos principais impérios da Idade Moderna, sendo por muito tempo o centro de comunicação entre oriente e ocidente. Surgiu no ano de 1299,  perdurou até o século XX (1923). Em seu auge, entre os séculos XVI e XVII, alcançou a extensão territorial que abrangia o norte do continente africano, o sudeste europeu e o Oriente Médio.  Teve seu nome derivado de um de seus líderes mais importantes, o sultão Otman I, que transformou as tribos nômades, fixadas na região da Anatólia, em uma dinastia imperial, nomeada de Otomana. Essas tribos contribuíram para a disseminação da religião islâmica em terras dominadas pelo Império Bizantino .

O ano de 1453, foi importante para o Império Otomano porque, após intensas campanhas militares contra o Império Bizantino, a cidade de Constantinopla foi conquistada e tornou-se a capital do império. Este ano representou o início da supremacia otomana, momento de ascensão econômica graças às posteriores e bem-sucedidas caravanas que comercializavam especiarias com o Ocidente e das políticas agrícolas e das ações militares do sultão Mehmed II.

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Mapa mostra o auge da extensão territorial do Império Otomano

O estado otomano era considerado multiétnico, era formado por armênios, gregos, romenos, turcos, sérvios, búlgaros e árabes. O turco era a língua oficial e o árabe era usado em cerimônias e textos religiosos. A religião é um ponto importante para ter compreensão da diversidade do império, por ser formado por diferentes etnias, vários grupos religiosos conviviam de forma respeitosa cristãos católicos e ortodoxos, mulçumanos sunitas e xiitas, judeus entre outros.

Embora o islamismo fosse a religião oficial, essas outras eram vivas e parte importante da vida e identidade de cada um dos grupos que formavam o império. Apesar de aceitas, os praticantes das religiões não oficiais recebiam tratamento diferente, sendo obrigados a pagar impostos específicos e dificilmente chegavam a ocupar cargos importantes. A longevidade do império pode ser atribuída ao forte poderio militar e, em larga escala, pela tolerância com as tradições dos povos dominados, neste ponto deve-se salientar que a tolerância era de interesse da elite dominante, uma vez que os praticantes de outras religiões eram obrigados a pagar impostos, dos quais os mulçumanos estavam isentos, aumentando assim a arrecadação do Império.

Declínio

Já no século XIX, o Império começou a enfrentar um processo de estagnação, a produção agrícola enfrentou dificuldades e a peste bubônica vitimou grande parcela da população otomana. O declínio não ocorreu apenas por fatores internos, mas também em decorrência das transformações mundiais e a crescente competitividade dos Estados europeus, principalmente pelos efeitos gerados pela industrialização que enfraqueceu um dos braços econômicos mais importantes do império, o comércio de produtos têxteis. Além das questões econômicas, o império já enfrentava baixas territoriais. Em 1798, o Egito foi tomado por Napoleão e junto com a dominação napoleônica, as ideias modernas e iluministas entraram no império, desagradando assim as elites otomanas. Influenciadas por essas ideias, lideranças das minorias étnicas passaram a se organizar e criar movimentos pró-independência , como aconteceu com a minoria sérvia que criou o Estado Sérvio em 1830 e a Grécia que, em 1833, se declarou Reino Independente da Grécia. Estas perdas territoriais e o enfraquecimento econômico aumentaram a instabilidade política do império.

Em meio a este momento instável surgiu um movimento político que será muito importante para a criação da República da Turquia, o nacionalismo turco, que nasceu como resposta ao período delicado que o estado enfrentava. O suspiro final do Império Otomano foi a Primeira Guerra Mundial, suas tropas combateram ao lado dos Impérios Alemão e Austro-Hungaro. O exército otomano sofreu várias derrotas, principalmente na região do Cáucaso, o que gerou um enfraquecimento irreversível, uma vez que a região era estratégica, principalmente para a Rússia.

Criação da Turquia

Com o fim da Primeira Guerra em 1918, o mundo passou por um momento de realinhamento e, em 1920, o Império Otomano assinou o Tratado de Sèrves, um tratado de paz em que os aliados impuseram o desmembramento do Império que teve sua extensão reduzida à Anatólia (correspondente à Turquia asiática). A Grécia e a Armênia conquistaram o direito à independência e as províncias árabes passaram a ser dominadas pelos britânicos e franceses.

O tratado de paz desagradou às lideranças do nacionalismo turco, que se negaram a aceita-lo. Mustafá Kemal, líder nacionalista, mobilizou e reorganizou o extinto Exército Otomano e travou a Guerra de Independência Turca, expulsando os aliados e abolindo o sultanato na região. No ano de 1923 é criada a República da Turquia, Mustafá Kemal, chamado de Atatürk (pai dos turcos) torna-se presidente, transfere a capital de Istambul (antiga Constantinopla) para Ancara, parte central do país.

Atatürk , implantou reformas radicais no país como, por exemplo, a secularização do Estado, a reforma educacional (o turco passou a ser ensinado no alfabeto latino em vez do persa-árabe), implementou igualdade civil entre homens e mulheres, aboliu o uso do véu nas universidades e locais públicos, entre muitas outras reformas. O Estado turco é bastante importante dentro da geopolítica internacional e regional, é um país cheio de contradições que serão exploradas em posts futuros.

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Mausoléu de Ataürk localisá-se na capital turca, Ancara. O monumento abriga também o museu da Guerra de Independência Turca, que é um dos monumentos mais visitados do país.

Dicas de leitura

QUATAERT, Donald G. O Império Otomano: Das origens ao século XX. Portugal. Edições 70. 2008.

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Idade Média – a Alta Idade Média e a Dinastia Merovíngia

O conceito de Idade Média foi criado a partir da noção de que a Antiguidade Clássica e o Renascimento constituíram o ápice do desenvolvimento do homem. Essa concepção criada pelos modernos atribuía ao período medieval uma época de estagnação, de atraso, preconceitos materializados com a alcunha de “Idade das Trevas”. Os medievalistas demonstram, contudo, que essa ideia não corresponde ao período, que nos trouxe um desenvolvimento cultural enorme. Um exemplo: as universidades surgiram na Idade Média, a centralização monárquica, com as Monarquias Nacionais e a criação dos Estados europeus. Como durou 1000 anos, do século V ao XV, foram diversas as transformações e consolidações vividas pelo homem, desde a ruralização até a retomada do comércio. Portanto, pensar nessa época como obscura e estagnada não é só errôneo como anacrônico.

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Mapa da Alta Idade Média

Neste post, vamos falar de um episódio específico da Alta Idade Média, a invasão da Gália pelos francos e a Dinastia Merovíngia. O fim do Império Romano foi marcado pelas invasões bárbaras aos territórios imperiais, sobretudo nas fronteiras mais longínquas à Roma e Constantinopla. A divisão de poderes entre Oriente e Ocidente enfraqueceram o comando central do Império e auxiliou os povos “bárbaros” a conquistarem as regiões que sofriam com a falta de segurança institucional. É o início da conhecida Alta Idade Média, período muito mais de continuidades do que mudanças abruptas. Porém, antes de discorrermos sobre a região francesa, temos que entender o termo bárbaro. Nesse caso, a ideia está relacionada ao que chamamos de alteridade, ou seja, o conhecimento sobre o outro. Com o tempo, o conceito de bárbaro ganhou o significado de não-civilizado, bruto, belicoso. Porém, eram os não romanos, isso quer dizer: germânicos, visigodos, godos, etc. Assim como no passado haviam sido os não gregos, ou seja, macedônios, persas. Estes, por exemplo, chamavam de bárbaros, e de maneira pejorativa, os turcos.

Esses povos possuíam uma organização social o suficiente para abalarem as estruturas dos impérios e governos vigentes. Os Francos, como ficaram conhecidos os bárbaros que invadiram a Gália, região da atual França, foram considerados diferenciados por causa da centralização política, que ajudou no processo de estabelecimento no território invadido.

Além disso, outra disposição importante foi a aliança construída com a Igreja Católica. Com o fim de Roma, as instituições políticas se desfaleceram, e a única instituição que sobreviveu, e que se desenvolveu e se fortaleceu, foi a Igreja. A união foi prova da sagacidade do rei franco Clóvis, que sabia que seu poder não seria consolidado sem qualquer tipo de absorção das estruturas locais. Ou seja, para que o novo governo franco se estabelecesse na região, eles precisavam do apoio da população. Para isso, seus costumes e tradições não poderiam desaparecer de uma hora para outra. Portanto, ao se converter, Clóvis determinou o caminho do seu governo e conseguiu consolidar a tomada da Gália. Foi o início da Dinastia Merovíngia.

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O primeiro rei franco a invadir a Gália foi Meroveu, mas foi somente com Clóvis, entre 481-511, seu neto, e suas vitórias contra os resistentes à invasão, que a Dinastia surgiu. Um dos grandes feitos foi a imposição da estrutura política própria dos francos, com a divisão do território em condados. Dessa forma, a administração foi fragmentada, facilitando o controle central com a designação dos cargos à figuras de confiança. Essa movimento foi importante, pois atribuiu muito poder à nobreza franca, demonstrando uma das principais características da Idade Média, que foi a descentralização administrativa e o poder crescente da nobreza. Major Domus foi o nome dado à instituição que os nobres coordenavam, e a sua existência fez com que o poder dos reis fosse menor do que conheceríamos no Absolutismo ou mesmo na época do Império Romano. Dessa forma, os reis francos foram conhecidos como reis indolentes.

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Joia merovíngia – séc. VI-VII

A dualidade de poder se tornou mais latente com a Batalha de Poitiers, de 732. Já no século VII, com Pepino de Heristal, um dos nobres que comandavam a Major Domus, ficou tão fortalecido que transformou o seu cargo em hereditário e vitalício, além de desliga-lo de qualquer jurisdição real. Isso demonstrava o poder que a nobreza alcançou. No século VIII, a França sofreu uma tentativa de invasão árabe, que foi abafada pelas tropas coordenadas por Carlos Martel, filho de Heristal. A batalha estreitou ainda mais a aliança com a Igreja Católica, pois livrou a região do domínio muçulmano, e fortaleceu uma nobreza que já dominava a política do país.

A Dinastia Merovíngia se viu mortalmente abalada pelos acontecimentos em Poitiers. Pepino, o Breve, filho de Martel, desferiu o golpe final, ao destituir o rei merovíngio e dar início a outra dinastia na França, a Carolíngia.

Foi a partir desse período que temos o processo de feudalização do país, além do desenvolvimento cultural, com o Império Carolíngio e o chamado Renascimento Carolíngio.

Ana Carolina Machado de Souza

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República Romana – Parte 2

Com a conquista de terras e de pessoas, após o processo de expansão romana, a sociedade sofreu um processo de transformações. O aumento no número de escravos, muito utilizados na agricultura e em algumas atividades urbanas, causou um grande êxodo rural, pois os pequenos produtores acabaram perdendo espaço e mudaram para as cidades à procura de uma nova fonte de renda.

Das novas relações comerciais com as províncias conquistadas, formou-se uma camada de grandes comerciantes romanos que, apesar da fortuna, não podiam participar ativamente da política. O cenário então para os patrícios que comandavam os rumos da política não estava mais tão favorável: havia pressões tanto dos camponeses destituídos de suas terras e que se tornaram desempregados nas cidades, quanto dos grandes comerciantes, desejosos de uma maior participação nas decisões fundamentais para a sociedade. Assim, a falta de terras, a desigualdade social e o crescimento desordenado das cidades agravou o quadro de tensão social.

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Mosaico romano com representação dos escravos

Foi nesse momento que dois tribunos da plebe, Tibério e Caio Graco, trouxeram algumas ideias para solucionar a crise, propondo, em 133 a.C., uma reforma agrária, além de outras proposições de caráter popular. Os patrícios não gostaram da ideia e vetaram a distribuição das terras e acabaram assassinando Tibério e vários de seus seguidores.

Mas as ideias de reforma agrária continuaram e, dez anos depois, Caio Graco, reeleito Tribuno da Plebe, retomou o projeto e ainda propôs, em 123 a.C., a Lei Frumentária, que determinava o fornecimento de trigo e pão para a população pobre de Roma a preços reduzidos. Mais uma vez, os patrícios reagiram e houve choques com os plebeus, resultando na morte de Caio Graco e no aumento da tensão social.

Crise da República

Para dominar e comandar um território tão vasto quanto aquele dominado pelos romanos após a expansão, o Exército foi ficando cada vez mais fortalecido, o que acabou tendo grandes consequências para a política romana.

Diante do contexto de crescente tensão social, os generais passaram a ter cada vez mais prestígio, ocupando cargos políticos e tendo o apoio da população, já que vários deles tinham uma origem plebeia e se aproximavam de seus interesses.

No caso dos generais Mário e Sila, diferentes interesses estavam em jogo na disputa pelo poder: enquanto o primeiro se ocupava das aspirações das camadas inferiores, o segundo se alinhava com os desejos dos patrícios. Das disputas entre os dois, Sila saiu vencedor e se proclamou Ditador, em 89 a.C.

Com sua renúncia, em 79 a.C., em razão de sua idade avançada, o poder foi disputado por diferentes grupos e, em 60 a.C., a solução encontrada foi a formação do Primeiro Triunvirato, composto pelos generais Júlio César, Pompeu e Crasso.

Em 53 a.C., Crasso morreu, o que causou novas disputas pelo poder entre os outros dois generais que compunham o Triunvirato, tendo como vencedor Júlio César. Em 46 a.C., ele se autoproclamou Ditador Vitalício, concentrando todo o poder em suas mãos, o que desagradou o Senado. Como resultado de uma conspiração, Júlio César acabou assassinado por Brutus (daí a expressão “até tu, Brutus, meu filho?”, já que Brutus era filho adotivo do ditador, a quem ele confiava não participar da conspiração).

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Busto de Júlio César (Museu Arqueológico Nacional de Nápoles)

A morte do ditador causou grande comoção popular, pois ele havia estabelecido a paz em Roma, ao limitar o poder dos patrícios. Outro general, Marco Antônio, se aproveitou da situação, se apropriando da popularidade de Júlio César, e, juntamente com Otávio (sobrinho do antigo ditador) e Lépido (chefe dos cavaleiros), formou o Segundo Triunvirato, em 43 a.C.

Nesse período, mais uma vez, procurou-se afastar o Senado do poder, mas o equilíbrio entre os governantes durou pouco: Lépido foi afastado, Otávio acabou ficando responsável pelo comando do território ocidental de Roma e Marco Antônio do oriental. Os dois logo romperam relações quando o segundo se aliou a Cleópatra, rainha do Egito e Otávio, por sua vez, passou a contar com o apoio dos membros do Senado.

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Cleópatra e César (1866), Jean-León Gerôme. O relacionamento de Otávio e a rainha Cleópatra se tornou tema para várias obras, inclusive filmes.

Em 32 a.C., Otávio derrotou as tropas de Marco Antônio e se apossou do território egípcio, tomando posse então de imensas riquezas. Senhor absoluto, ele recebeu do Senado os títulos de príncipe e de imperador de Roma, acumulando cargos que lhe garantiram plenos poderes. Assim, em 27 a.C., para reforçar seu domínio, ele se intitulou augustus, o divino, título que lhe atribuía poderes divinos e estabelecia o culto a sua figura. Inaugurava-se, assim, um novo regime e uma nova fase do predomínio romano, o Império.

Para saber mais:

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002.

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Império Bizantino

Império Bizantino foi o nome dado ao Império Romano do Oriente, que teve sua sede na cidade de Bizâncio, que depois foi renomeada Constantinopla e hoje é a atual Istambul, na Turquia. Seu início ocorreu com a desintegração do Império Romano do Ocidente (que acabou em 476) e durou até 1453, quando sofreu a invasão dos turcos otomanos.

Antes de apontarmos as influências bizantinas na cultura europeia do Mediterrâneo, temos que entender as condições do Império Romano nos seus últimos séculos. Com a expansão territorial, a centralização do poder na figura do imperador se tornou uma tarefa impossível. A administração teve que ser fragmentada, e todas as instituições burocráticas e os servidores, os militares, responsáveis pela segurança das fronteiras, eram sustentados pelo Estado. Os recursos e impostos arrecadados ficavam cada vez mais escassos.

A pulverização da estrutura administrativa social auxiliou o surgimento das disputas de poder por famílias locais, o que prejudicou a unidade do Império. As invasões bárbaras contribuíram para o deslocamento da máquina política administrativa de Roma para o Oriente Próximo, o que aconteceu no governo de Diocleciano (284-305). Além de ter criado o Édito de Máximo, que fixou os preços de produtos de necessidade básica e de salários para conter a inflação, também instituiu, politicamente, uma Tetrarquia – cada capital recebia um Imperador (Augusto) e um governante (César):

–  IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE – Capital: Roma – Diocleciano/ Constâncio

IMPÉRIO ROMANO DO ORIENTE – Capital: Bizâncio – Maximiano/ Galério

Mas ainda não era uma divisão definitiva e só sobreviveu com Diocleciano. Com a entrada de Constantino, vemos a singularização do poder novamente, mas com uma mudança essencial: Bizâncio se tornou Constantinopla e a capital do Império como um todo. Foi uma decisão que demonstrava o enfraquecimento de Roma e da parte ocidental, que sofria com ataques constantes dos bárbaros. Constantinopla se mostrou a opção mais segura para o estabelecimento do aparato político e econômico, mas também consolidou a queda de Roma.

Foi no governo de Constantino que algumas medidas tomadas transformaram a história ocidental, como a assinatura do Édito de Milão, em 313, que proibiu a perseguição aos cristãos. 300 anos depois do nascimento de Jesus Cristo e da disseminação da sua doutrina, o crescimento do número de cristãos e de fieis importantes politicamente, que possuíam alguma influência na sociedade, fez com que a religião fosse reconhecida pelo Estado. Foi apenas em 391, com o Édito da Tessalônica, que o Cristianismo se tornou oficial e a única crença do Império. Isso ocorreu no governo de Teodósio, que também assinou a separação permanente entre o Ocidente e Oriente, em 395. Temos, então, o surgimento do Império Bizantino.

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A principal característica que manteve o Império Bizantino vivo enquanto o Romano desfalecia foi a capacidade de manter o poder centralizado e a economia sob controle, e isso se deu com a repartição das terras entre Estado e aristocracia, o que causava uma concentração fundiária e eliminava a competição das pequenas propriedades. Isso foi possível, pois a principal atividade econômica era o comércio, diferentemente da parte ocidental que dependia muito dos excedentes agrícolas para a economia.

O comércio foi uma das contribuições para o Ocidente, pois o Oriente Próximo era conhecido tradicionalmente por possuir grandes comerciantes. Enquanto a Europa se voltava para a ruralização feudal, o Oriente manteve as atividades comerciais vivas e que foram essenciais para a retomada das rotas mercantis no período renascentista, por exemplo.

Como instituição política, o Império Bizantino viveu sua consolidação no governo de Justiniano, que fortaleceu o Estado e criou uma série de códigos e medidas que também inspiraram a organização ocidental, como o Corpus Juris Civilis, que foi uma espécie de código civil, uma compilação das leis que já vigoravam no país há alguns séculos e a nova legislação justiniana, comentada por especialistas da época.

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Mosaico de Justiniano e seu séquito

Essa perspectiva centralista foi muito auxiliada pelo crescimento do Cristianismo como instituição religiosa e o estabelecimento da Igreja cristã. O Imperador era também considerado o patriarca, assim, possuía jurisdição e poder de decisão mesmo com a figura do Papa. Essa prática recebeu o nome de Cesaropapismo, o imperador, ao se tornar aos olhos da fé e da instituição, a manifestação de Deus, adquiria o reconhecimento do seu papel como centralizador do poder.

Um exemplo que marca esse período de desenvolvimento da Igreja foi a construção da catedral de Santa Sofia.

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Catedral de Santa Sofia – Istambul, Turquia. Os minaretes foram inseridos após a dominação islâmica. Hoje em dia é um museu. 

A catedral representava o poder da igreja oriental, o que causou conflitos com a sede em Roma. Com o fim do Império Romano e a consolidação dos governos bárbaros, a Igreja passou a ser protagonista na Europa. Para o estabelecimento da Dinastia Merovíngia, por exemplo, os lideres francos realizaram alianças com os membros cristãos. Portanto, com o passar do tempo, o poder do papa se fortalecia.

O cesaropapismo e o acúmulo de funções que o patriarca tinha causou antagonismos com os representantes romanos. Essa disputa tinha fundo basicamente político mas foi traduzida em algumas mudanças litúrgicas com o episódio conhecido como Cisma do Oriente, ocorrido em 1054. Foi a separação da Igreja em:

– Igreja Ortodoxa Grega

– Igreja Católica Romana.

Foi a primeira grande divisão que a Igreja Católica sofreu, sendo seguida em importância e tamanho pela Reforma Protestante no século XVI.

Culturalmente, o Império Bizantino influenciou as instituições ocidentais com a herança arquitetônica, literária, filosófica, artística que originavam da Grécia Antiga.

Ana Carolina Machado de Souza

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Rebelião de Páscoa na Irlanda – 1916

“O direito do povo da Irlanda de possuir a Irlanda”

Frase que compõe a declaração de Independência da Irlanda

 

O início do século XX, foi um período de muitas instabilidades políticas, econômicas e sociais que culminaram na Primeira Guerra Mundial. Esta guerra foi marcada por grandes confrontos que envolveram diversos países do mundo, porém não podemos nos esquecer dos chamados “conflitos periféricos” que ocorrem concomitantemente aos principais embates dessa guerra. A Rebelião de Páscoa (Easter Rising), que ocorreu em abril de 1916, na Irlanda, foi um desses conflitos no qual os irlandeses lutaram pela independência do país.

Para compreender melhor as razões que culminaram na Rebelião de Páscoa é preciso ter em mente como o imperialismo britânico funcionava naquela região. Ainda no início do século XIX, entrou em vigor o chamado Ato de Unificação (Act of Union) que deu origem ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Na prática, essa entidade, controlada pelos ingleses, começou a governar a Irlanda abolindo o Parlamento Irlandês que passou a ter apenas representantes no Parlamento Inglês, sendo assim, sua criação não trouxe benefícios políticos e sociais para os irlandeses.

Ao longo deste século, apesar da estabilidade econômica que a Grã-Bretanha vivenciava com as Revoluções Industriais, a Irlanda enfrentou grandes crises alimentares como, por exemplo, A Grande Fome (1845-1849), que foi uma das maiores catástrofes demográficas da Europa, matou grande parte da população e levou ao êxodo de milhares de irlandeses para países como os Estados Unidos. A questão religiosa era outro ponto que gerava muita insatisfação em relação ao domínio britânico, a Irlanda, historicamente influenciada pela religião católica, fora submetida ao reino que tinha o Anglicanismo como religião oficial.

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Memorial na região central de Dublin em homenagem aos irlandeses que morreram ou tiveram que mudar suas vidas por causa da Grande Fome. 

A insatisfação irlandesa em relação ao imperialismo britânico não parava de crescer, assim como os movimentos nacionalistas que visavam libertar a Irlanda do domínio britânico e recuperar a cultura irlandesa, ganhavam cada vez mais popularidade entre os irlandeses. A Irmandade Republicana Irlandesa (The Irish Republican Brotherhood), liderada por James Connolly, os Voluntários Irlandeses (Irish Volunteers), liderados por Patrick Pearse, o Exército Civil Irlandês (Irish Citizen Army) e o Conselho de Mulheres Irlandesas (Irishwomen Council) foram os principais grupos que participaram da rebelião que almejava a proclamação da independência e a criação da República da Irlanda.

O movimento por independência encontrou na Grande Guerra uma oportunidade de liberdade, partindo do princípio de que a Grã-Bretanha estaria muito ocupada no conflito mundial e possivelmente não deslocaria muitas forças para combater a insurreição irlandesa. Por outro lado, os alemães acreditavam que uma rebelião na Irlanda poderia desmobilizar forças britânicas o que ajudaria a Alemanha a vencer o conflito. Pensando assim, os alemães enviaram um navio cheio de armamentos para os rebeldes, porém a Marinha Real Britânica conseguiu interceptar esse navio.

Mesmo sem a ajuda alemã, na manhã do dia 24 de abril de 1916 teve início a Rebelião de Páscoa que terminaria seis dias depois, no dia 30 de abril daquele ano. A insurreição foi planejada e organizada pela Irmandade Republicana Irlandesa e contou com a vital ajuda dos Voluntários Irlandeses, do Exército Civil Irlandês e do Conselho de Mulheres Irlandesas (grupo paramilitar formado apenas por mulheres). Naquela manhã, aproximadamente 1200 rebeldes dividiram-se em grupos com o objetivo de tomar os principais pontos da cidade de Dublin.

O GPO (General Post Office), o equivalente à central dos Correios, foi ocupada pelos rebeldes e imediatamente tornou-se a sede do quartel-general da rebelião. Do lado de fora duas bandeiras republicanas foram hasteadas e o líder Patrick Pearse leu a Proclamação da República da Irlanda.

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Proclamação da República da Irlanda

Assim como o GPO outros importantes prédios e pontos da cidade foram tomados como, por exemplo, o Dublin City Hall (Prefeitura), Four Courts (Palácio da Justiça), Jacob´s (importante fábrica de biscoitos) e o parque St.Stephen´s Green. Vale lembrar que a rebelião concentrou-se na capital Dublin, porém pequenos levantes ocorreram nos condados de Mearth, Galway e Wexford.

Com um começo promissor o levante alcançou grandes vitórias, principalmente nas primeiras horas, quando os rebeldes conseguiram tomar importantes pontos da cidade. Porém, a Grã-Bretanha não estava disposta a permitir que a rebelião crescesse, sendo assim, mobilizou forças militares para acabar com a insurreição. Chegaram à Irlanda tropas britânicas com aproximadamente 16 mil soldados e mais mil policiais para sufocar a rebelião que contava com aproximadamente 1250 rebeldes. Além da discrepância numérica havia também a enorme diferença entre os armamentos usados pelos dois lados do conflito, enquanto os soldados britânicos usavam metralhadoras, os rebeldes tinham à disposição apenas carabinas.

Os britânicos conseguiram sufocar a rebelião, os rebeldes resistiram até o dia 30 de abril quando se renderam. A revolta durou seis dias e teve como resultado a morte de aproximadamente 500 pessoas, mais da metade desse número fora formado por civis. Os 16 líderes da rebelião foram julgados e executados. Esta ação do governo britânico gerou indignação e revolta entre os irlandeses e uma nova onda anti-imperialismo começa a ganhar força na Irlanda. A rebelião pode não ter tido o sucesso que os rebeldes esperavam, porém tornou-se um momento simbólico e cheio de significados na luta pela independência irlandesa que aconteceria seis anos depois, em 1922.

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Interior de Kilmainham, a cadeia onde os líderes da rebelião foram presos e executados. Hoje o espaço se converteu em um museu na cidade de Dublin.

O ano de 2016 é o centenário dessa rebelião que instigou nos irlandeses o espírito de liberdade e luta por uma Irlanda para os irlandeses. É possível encontrar exposições, passeios, homenagens em todos os pontos da capital irlandesa, além de a cidade contar com ruas nomeadas com os nomes dos principais líderes dessa revolta, o que prova que este foi um evento importantíssimo para a História daquele país. Ainda sobre o centenário, foi criada uma mini-série televisiva chamada Rebellion que narra a Rebelião de Páscoa irlandesa a partir do ponto de vista de três mulheres que possuem diferentes histórias de vida, motivações e participações dentro da rebelião. É uma obra riquíssima que ajuda a compreender esse momento importante da história irlandesa abordando os eventos a partir do olhar de um grupo de rebeldes que muitas vezes são negligenciados, as mulheres.

Assista ao trailer da mini-série:

 

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Saiba como a internet pode ser uma aliada na “batalha” do vestibular

Estudar onde e quando quiser é a premissa básica do ensino a distância que diversas instituições de ensino superior há algum tempo oferecem aos estudantes. Com resultados interessantes, a proposta começa a ganhar espaço também dentro do “cardápio” de alguns cursos pré vestibulares online, com altos índices de aprovação.

Um dos cursos pré vestibular online pioneiro no Brasil é o kuadro, baseado na cidade de São José dos Campos (SP), cidade que abriga o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), uma instituição universitária pública reconhecida por sua excelência educacional e para a qual o ingresso chega a ser uma missão “quase” impossível.

 

Em dois anos de existência, o kuadro contabiliza quatro aprovações de seus alunos para o ITA, e também para outras instituições de peso, casos do IME (Instituto Militar de Engenharia) e AFA (Academia da Força Aérea).

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Essa é a Ana Carolina, criadora e historiadora do blog e uma das professoras de História do kuadro

O cursinho do Vale do Paraíba, que não oferece aulas presenciais, foi criado para preparar alunos interessados em instituições de primeira linha e alta concorrência, conforme conta o professor Bruno Werneck, um dos fundadores e proprietário do kuadro. “Nosso foco é a preparação para os vestibulares mais difíceis e concorridos.” Nesta linha, o kuadro também prepara estudantes para as provas da Unicamp, USP, UNESP, entre outras. Recentemente, foram abertas matrículas para o curso preparatório para faculdades de Medicina, que terá início em 2017.

Segundo Werneck, além do custo ser cerca de 10 vezes menor do que o de cursos presencias, outra grande vantagem do ensino online é a de eliminar a perda de tempo com o transporte para se chegar até ao cursinho, principalmente nos grandes centros, onde o trânsito está cada vez mais complicado.

Somadas a estas vantagens, o kuadro também se notabiliza pela excelência da qualidade de ensino que oferece. O curso conta com mais de 15 professores com elevada formação acadêmica e bastante experientes. “Nos preocupamos em contar com professores abertos a inovação.”

O kuadro oferece ainda material didático baseado no sistema Poliedro, que é entregue em domicílio aos estudantes. Segundo Werneck, o cursinho conta com alunos residentes em quase todo país que acompanham as aulas gravadas nos estúdios do cursinho. “Eles também se valem de monitores que os acompanham diariamente. O suporte ao aluno é garantido e o seu desempenho ao longo do curso é acompanhado com extrema atenção apesar da distância. Ao aluno compete ter um sério comprometimento e dedicação com o seu sonho de ingressar em um curso de alta qualidade.”

Para atingir esse objetivo, a Internet é cada vez mais um aliado. A rede oferece vasta quantidade de informações indispensáveis para o reforço e atualização do candidato. Navegando na rede você pode encontrar textos sobre os mais variados temas, notícias e até mesmo verdadeiras aulas sobre as matérias que fazem parte das provas de seleção. Saber usar a Internet a seu favor pode ser uma excelente ferramenta na busca por seus objetivos.

Clique aqui e saiba como o cursinho online pode te ajudar a atingir seus objetivos.

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República Romana – Parte 1

Após a deposição do último rei romano, Tarquínio, o Soberbo, pelos senadores que não queriam mais que o poder ficasse concentrado nas mãos de uma pessoa, foi instaurada a República Romana.

Para entender melhor esse período tão conhecido da Antiguidade Clássica, é preciso ter em mente a divisão da sociedade romana (Para saber mais, veja Monarquia Romana), que se organizava em patrícios (nobres, chefes das famílias poderosas e proprietários de terras), clientes (servidores ou protegidos dos nobres) e plebe (todos os os outros habitantes). Nos primeiros anos da República, somente os patrícios tinham direitos políticos e, portanto, só eles podiam ter cargos políticos, como os de cônsul e senador.

O Senado era o principal órgão da República e era nele que as leis eram elaboradas. Todas as questões importantes de política interma e externa eram decididas ali. Ou seja, somente os patrícios eram responsáveis por decidir sobre a política romana.

Ao longo do período republicano, os plebeus foram conquistando direitos e lugares no Senado e nas Assembleias, órgãos responsáveis pela votação de projetos, assuntos religiosos e a nomeação de representantes a cargos públicos. Os plebeus, através de lutas e rebeliões, conseguiram até mesmo conquistar a criação do cargo de Tribuno da Plebe, representante com poder de veto nas decisões do Senado relativas aos interesses da plebe.

Outra conquista importante para essa camada da população aconteceu em 450 a.C., quando foi escrito o primeiro código legal, a Lei das Doze Tábuas, que se tornou um dos textos fundamentais do Direito Romano e que representou uma vitória para os plebeus na medida em que tornamvam públicas leis que deveriam ser seguidas por todos, coibindo a ação arbitária dos cônsules patrícios que administravam a justiça de acordo com seus próprios interesses.

Em 445 a.C., com a Lei Canuléia, os plebeus passaram a ter permissão para casar com patrícios, o que possibilitou uma certa mobilidade social para a plebe. Ainda assim, essa camada da população continuava marginalizada, mas num processo de lutas e contestação, os plebeus conseguiram ter direitos que foram, pouco a pouco, modificando a sua situação, como as Leis Licínias, de 367 a.C., que garantiram que um dos cônsules fosse plebeu, além de permitir o acesso às terras conquistadas.

A partir dessas transformações, as diferenças sociais passaram a ser mais baseadas na riqueza do que nos critérios de nascimento. Assim, de um lado, estavam os romanos mais ricos, patrícios e plebeus, e de outro, a massa da plebe que não teve acesso às riqueza das decorrentes da expansão romana. Isso, no entanto, não significou que as diferenças entre patrícios e plebeus fossem abolidas, já que esse critério de diferenciação continuou ao longo da história romana.

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Estrutura política

No regime republicano, o poder não deveria ser concentrado nas mãos de uma só pessoa. No topo do poder político estava o Senado, que já existia anteriormente, mas que adquiriu maior importância na República, pois a partir de então ele passou a ser o responsável por escolher os dois cônsules que detinham o poder militar e civil.

Além dos cônsules, havia outros magistrados: os questores (encarregados do Tesouro público), os edis (encarregados de cuidar dos edifícios, esgotos, ruas, tráfego e abastecimento), os pretores (administradores da justiça), os censores (responsáveis pela contagem da população e averiguação de sua renda). A escolha desses magistrados estava a cargo do Senado, mas havia também a participação da Assembleia da Plebe e dos soldados na escolha. Apenas cidadãos poderiam se tornar magistrados e votar na escolha destes.

 

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Mas o conceito de cidadania na República Romana era muito mais amplo e flexível do que aquele que existia na democracia ateniense. No caso de Roma, podiam tornar-se cidadãos até mesmo ex-escravos alforriados. Estes, porém, não tinham plenos direitos políticos, mas seus filhos teriam essa possibilidade.

Expansão romana

Ao mesmo tempo em que a sociedade romana passava por grandes transformações sociais, com os plebeus adquirindo seus direitos e seu espaço na política e as instituições republicanas iam se consolidando, os romanos iniciaram um processo de expansão territorial que duraria por séculos.

Nos primeiros quatro séculos de sua história, Roma dominou, guerreou ou fez alianças com povos vizinhos, expandindo-se em direção ao Lácio e, depois à Itália central, meridional e sententrional, chegando, assim, a conquistar toda a Península Itálica até o século III a.C. A partir desse momento, a expansão romana estendeu-se para fora da Itália, trazendo ainda mais transformações para a sociedade.

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Em destaque, a região da Península Itálica

 

Uma das táticas de conquista utilizada pelos romanos tinha a ver com a formação de alianças. Os povos que se aliassem ao poder de Roma recebiam direitos totais ou parciais de cidadania. Já aqueles que resistiam à sua dominação eram derrotados e vendidos como escravos, tendo que se submeter aos mandos e e aos impostos romanos. Tal tática de tratamentos diferentes com relação aos dominados favoreceu o domínio romano, pois evitava que os povos derrotados se aliassem e se revoltassem contra Roma.

A outra maneira que os romanos encontraram para expandir suas fronteiras e seu domínio foi a guerra. Assim, quando dirigiram-se para o norte da África, em direção à cidade de Cartago, cidade de origem fenícia e responsável pelo controle do comércio do Mar Mediterrâneo, os romanos avançaram utilizando toda sua força militar.

Guerras Púnicas

Para conquistar novas terras férteis, como as da ilha da Sícilia e a fim de destruir a hegemonia cartaginesa no Mediterrâneo, os romanos entraram em sucessivos conflitos com os fenícios que habitavam Cartago e mantinham colônias na Sicília, Córsega e Sardenha. Esses conflitos ficaram conhecidos como Guerras Púnicas (uma referência aos fenícios que eram chamados pelos romanos de “punos”) que se estenderam de 264 a.C.a 146 a.C.

Na Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.), os romanos aproveitaram a disputa entre italiotas habitantes da Sicília e os fenícios e, em 264 a.C., entraram em conflito com os cartagineses. Após 23 anos de batalhas, finalmente os romanos saíram vencedores e como forma de compensação, os cartagineses foram obrigados a ceder os territórios das ilhas da Sicília, da Córsega e da Sardenha.

Ainda assim, Cartago mantinha importantes domínios territoriais e passou a explorar minas de prata na região que hoja é a Espanha, atitude que desagradou aos romanos, que tentaram, sem sucesso, delimitar as áreas de influência de cada um. Como forma de revanche, os cartagineses invadiram o território romano, conseguindo chegar muito perto de Roma e iniciando, assim, a Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.). Ao mesmo tempo, as tropas romanas rumaram a Cartago obrigando os cartagineses a sair do território romano e voltar a sua cidade, até que, em 201 a.C., liderados por Cipião, o Africano, os romanos derrotaram seus inimigos.

Na Terceira Guerra Púnica (149-146 a.C.), Roma, que já detinha enorme poder no Mediterrâneo, havia imposto aos cartagineses algumas restrições, como a necessidade de autorização do Senado romano para iniciar uma batalha. A partir de uma estratégia diplomática, os romanos puderam vencer e dizimar Cartago, depois que estimularam a invasão da cidade pela população vizinha, de Numídia. Sem a autorização de Roma para a reação, descumprindo assim, o acordo que tinha sido travado, as tropas romanas tiveram pretexto para guerrear com Cartago e, dessa vez, com o objetivo de dizimar a cidade e acabar de vez com seu poder. Feito isso, não havia mais obstáculos para os romanos dominarem o Mar Mediterrâneo e seu comércio, abrindo caminho para expandir ainda mais suas fronteiras em direção à Ásia e África.

As riquezas acumuladas e o grande número de pessoas escravizadas durante esse processo de expansão territorial causaram um grande êxodo rural ocasionado pelo uso quase que exclusivo de mão-de-obra escrava nas terras conquistadas. Assim, a estrutura da sociedade romana começa a se modificar, e, como consequência a estrutura política precisa assimilar tais transformações e novidades. Entra-se então numa nova fase da República romana que passa a tentar lidar com a situação da sociedade e da economia. Esse novo processo será tratado em um outro texto que será publicado aqui no blog.

Bibliografia 

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002.

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