Rebelião de Páscoa na Irlanda – 1916

“O direito do povo da Irlanda de possuir a Irlanda”

Frase que compõe a declaração de Independência da Irlanda

 

O início do século XX, foi um período de muitas instabilidades políticas, econômicas e sociais que culminaram na Primeira Guerra Mundial. Esta guerra foi marcada por grandes confrontos que envolveram diversos países do mundo, porém não podemos nos esquecer dos chamados “conflitos periféricos” que ocorrem concomitantemente aos principais embates dessa guerra. A Rebelião de Páscoa (Easter Rising), que ocorreu em abril de 1916, na Irlanda, foi um desses conflitos no qual os irlandeses lutaram pela independência do país.

Para compreender melhor as razões que culminaram na Rebelião de Páscoa é preciso ter em mente como o imperialismo britânico funcionava naquela região. Ainda no início do século XIX, entrou em vigor o chamado Ato de Unificação (Act of Union) que deu origem ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Na prática, essa entidade, controlada pelos ingleses, começou a governar a Irlanda abolindo o Parlamento Irlandês que passou a ter apenas representantes no Parlamento Inglês, sendo assim, sua criação não trouxe benefícios políticos e sociais para os irlandeses.

Ao longo deste século, apesar da estabilidade econômica que a Grã-Bretanha vivenciava com as Revoluções Industriais, a Irlanda enfrentou grandes crises alimentares como, por exemplo, A Grande Fome (1845-1849), que foi uma das maiores catástrofes demográficas da Europa, matou grande parte da população e levou ao êxodo de milhares de irlandeses para países como os Estados Unidos. A questão religiosa era outro ponto que gerava muita insatisfação em relação ao domínio britânico, a Irlanda, historicamente influenciada pela religião católica, fora submetida ao reino que tinha o Anglicanismo como religião oficial.

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Memorial na região central de Dublin em homenagem aos irlandeses que morreram ou tiveram que mudar suas vidas por causa da Grande Fome. 

A insatisfação irlandesa em relação ao imperialismo britânico não parava de crescer, assim como os movimentos nacionalistas que visavam libertar a Irlanda do domínio britânico e recuperar a cultura irlandesa, ganhavam cada vez mais popularidade entre os irlandeses. A Irmandade Republicana Irlandesa (The Irish Republican Brotherhood), liderada por James Connolly, os Voluntários Irlandeses (Irish Volunteers), liderados por Patrick Pearse, o Exército Civil Irlandês (Irish Citizen Army) e o Conselho de Mulheres Irlandesas (Irishwomen Council) foram os principais grupos que participaram da rebelião que almejava a proclamação da independência e a criação da República da Irlanda.

O movimento por independência encontrou na Grande Guerra uma oportunidade de liberdade, partindo do princípio de que a Grã-Bretanha estaria muito ocupada no conflito mundial e possivelmente não deslocaria muitas forças para combater a insurreição irlandesa. Por outro lado, os alemães acreditavam que uma rebelião na Irlanda poderia desmobilizar forças britânicas o que ajudaria a Alemanha a vencer o conflito. Pensando assim, os alemães enviaram um navio cheio de armamentos para os rebeldes, porém a Marinha Real Britânica conseguiu interceptar esse navio.

Mesmo sem a ajuda alemã, na manhã do dia 24 de abril de 1916 teve início a Rebelião de Páscoa que terminaria seis dias depois, no dia 30 de abril daquele ano. A insurreição foi planejada e organizada pela Irmandade Republicana Irlandesa e contou com a vital ajuda dos Voluntários Irlandeses, do Exército Civil Irlandês e do Conselho de Mulheres Irlandesas (grupo paramilitar formado apenas por mulheres). Naquela manhã, aproximadamente 1200 rebeldes dividiram-se em grupos com o objetivo de tomar os principais pontos da cidade de Dublin.

O GPO (General Post Office), o equivalente à central dos Correios, foi ocupada pelos rebeldes e imediatamente tornou-se a sede do quartel-general da rebelião. Do lado de fora duas bandeiras republicanas foram hasteadas e o líder Patrick Pearse leu a Proclamação da República da Irlanda.

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Proclamação da República da Irlanda

Assim como o GPO outros importantes prédios e pontos da cidade foram tomados como, por exemplo, o Dublin City Hall (Prefeitura), Four Courts (Palácio da Justiça), Jacob´s (importante fábrica de biscoitos) e o parque St.Stephen´s Green. Vale lembrar que a rebelião concentrou-se na capital Dublin, porém pequenos levantes ocorreram nos condados de Mearth, Galway e Wexford.

Com um começo promissor o levante alcançou grandes vitórias, principalmente nas primeiras horas, quando os rebeldes conseguiram tomar importantes pontos da cidade. Porém, a Grã-Bretanha não estava disposta a permitir que a rebelião crescesse, sendo assim, mobilizou forças militares para acabar com a insurreição. Chegaram à Irlanda tropas britânicas com aproximadamente 16 mil soldados e mais mil policiais para sufocar a rebelião que contava com aproximadamente 1250 rebeldes. Além da discrepância numérica havia também a enorme diferença entre os armamentos usados pelos dois lados do conflito, enquanto os soldados britânicos usavam metralhadoras, os rebeldes tinham à disposição apenas carabinas.

Os britânicos conseguiram sufocar a rebelião, os rebeldes resistiram até o dia 30 de abril quando se renderam. A revolta durou seis dias e teve como resultado a morte de aproximadamente 500 pessoas, mais da metade desse número fora formado por civis. Os 16 líderes da rebelião foram julgados e executados. Esta ação do governo britânico gerou indignação e revolta entre os irlandeses e uma nova onda anti-imperialismo começa a ganhar força na Irlanda. A rebelião pode não ter tido o sucesso que os rebeldes esperavam, porém tornou-se um momento simbólico e cheio de significados na luta pela independência irlandesa que aconteceria seis anos depois, em 1922.

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Interior de Kilmainham, a cadeia onde os líderes da rebelião foram presos e executados. Hoje o espaço se converteu em um museu na cidade de Dublin.

O ano de 2016 é o centenário dessa rebelião que instigou nos irlandeses o espírito de liberdade e luta por uma Irlanda para os irlandeses. É possível encontrar exposições, passeios, homenagens em todos os pontos da capital irlandesa, além de a cidade contar com ruas nomeadas com os nomes dos principais líderes dessa revolta, o que prova que este foi um evento importantíssimo para a História daquele país. Ainda sobre o centenário, foi criada uma mini-série televisiva chamada Rebellion que narra a Rebelião de Páscoa irlandesa a partir do ponto de vista de três mulheres que possuem diferentes histórias de vida, motivações e participações dentro da rebelião. É uma obra riquíssima que ajuda a compreender esse momento importante da história irlandesa abordando os eventos a partir do olhar de um grupo de rebeldes que muitas vezes são negligenciados, as mulheres.

Assista ao trailer da mini-série:

 

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Saiba como a internet pode ser uma aliada na “batalha” do vestibular

Estudar onde e quando quiser é a premissa básica do ensino a distância que diversas instituições de ensino superior há algum tempo oferecem aos estudantes. Com resultados interessantes, a proposta começa a ganhar espaço também dentro do “cardápio” de alguns cursos pré vestibulares online, com altos índices de aprovação.

Um dos cursos pré vestibular online pioneiro no Brasil é o kuadro, baseado na cidade de São José dos Campos (SP), cidade que abriga o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), uma instituição universitária pública reconhecida por sua excelência educacional e para a qual o ingresso chega a ser uma missão “quase” impossível.

 

Em dois anos de existência, o kuadro contabiliza quatro aprovações de seus alunos para o ITA, e também para outras instituições de peso, casos do IME (Instituto Militar de Engenharia) e AFA (Academia da Força Aérea).

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Essa é a Ana Carolina, criadora e historiadora do blog e uma das professoras de História do kuadro

O cursinho do Vale do Paraíba, que não oferece aulas presenciais, foi criado para preparar alunos interessados em instituições de primeira linha e alta concorrência, conforme conta o professor Bruno Werneck, um dos fundadores e proprietário do kuadro. “Nosso foco é a preparação para os vestibulares mais difíceis e concorridos.” Nesta linha, o kuadro também prepara estudantes para as provas da Unicamp, USP, UNESP, entre outras. Recentemente, foram abertas matrículas para o curso preparatório para faculdades de Medicina, que terá início em 2017.

Segundo Werneck, além do custo ser cerca de 10 vezes menor do que o de cursos presencias, outra grande vantagem do ensino online é a de eliminar a perda de tempo com o transporte para se chegar até ao cursinho, principalmente nos grandes centros, onde o trânsito está cada vez mais complicado.

Somadas a estas vantagens, o kuadro também se notabiliza pela excelência da qualidade de ensino que oferece. O curso conta com mais de 15 professores com elevada formação acadêmica e bastante experientes. “Nos preocupamos em contar com professores abertos a inovação.”

O kuadro oferece ainda material didático baseado no sistema Poliedro, que é entregue em domicílio aos estudantes. Segundo Werneck, o cursinho conta com alunos residentes em quase todo país que acompanham as aulas gravadas nos estúdios do cursinho. “Eles também se valem de monitores que os acompanham diariamente. O suporte ao aluno é garantido e o seu desempenho ao longo do curso é acompanhado com extrema atenção apesar da distância. Ao aluno compete ter um sério comprometimento e dedicação com o seu sonho de ingressar em um curso de alta qualidade.”

Para atingir esse objetivo, a Internet é cada vez mais um aliado. A rede oferece vasta quantidade de informações indispensáveis para o reforço e atualização do candidato. Navegando na rede você pode encontrar textos sobre os mais variados temas, notícias e até mesmo verdadeiras aulas sobre as matérias que fazem parte das provas de seleção. Saber usar a Internet a seu favor pode ser uma excelente ferramenta na busca por seus objetivos.

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República Romana – Parte 1

Após a deposição do último rei romano, Tarquínio, o Soberbo, pelos senadores que não queriam mais que o poder ficasse concentrado nas mãos de uma pessoa, foi instaurada a República Romana.

Para entender melhor esse período tão conhecido da Antiguidade Clássica, é preciso ter em mente a divisão da sociedade romana (Para saber mais, veja Monarquia Romana), que se organizava em patrícios (nobres, chefes das famílias poderosas e proprietários de terras), clientes (servidores ou protegidos dos nobres) e plebe (todos os os outros habitantes). Nos primeiros anos da República, somente os patrícios tinham direitos políticos e, portanto, só eles podiam ter cargos políticos, como os de cônsul e senador.

O Senado era o principal órgão da República e era nele que as leis eram elaboradas. Todas as questões importantes de política interma e externa eram decididas ali. Ou seja, somente os patrícios eram responsáveis por decidir sobre a política romana.

Ao longo do período republicano, os plebeus foram conquistando direitos e lugares no Senado e nas Assembleias, órgãos responsáveis pela votação de projetos, assuntos religiosos e a nomeação de representantes a cargos públicos. Os plebeus, através de lutas e rebeliões, conseguiram até mesmo conquistar a criação do cargo de Tribuno da Plebe, representante com poder de veto nas decisões do Senado relativas aos interesses da plebe.

Outra conquista importante para essa camada da população aconteceu em 450 a.C., quando foi escrito o primeiro código legal, a Lei das Doze Tábuas, que se tornou um dos textos fundamentais do Direito Romano e que representou uma vitória para os plebeus na medida em que tornamvam públicas leis que deveriam ser seguidas por todos, coibindo a ação arbitária dos cônsules patrícios que administravam a justiça de acordo com seus próprios interesses.

Em 445 a.C., com a Lei Canuléia, os plebeus passaram a ter permissão para casar com patrícios, o que possibilitou uma certa mobilidade social para a plebe. Ainda assim, essa camada da população continuava marginalizada, mas num processo de lutas e contestação, os plebeus conseguiram ter direitos que foram, pouco a pouco, modificando a sua situação, como as Leis Licínias, de 367 a.C., que garantiram que um dos cônsules fosse plebeu, além de permitir o acesso às terras conquistadas.

A partir dessas transformações, as diferenças sociais passaram a ser mais baseadas na riqueza do que nos critérios de nascimento. Assim, de um lado, estavam os romanos mais ricos, patrícios e plebeus, e de outro, a massa da plebe que não teve acesso às riqueza das decorrentes da expansão romana. Isso, no entanto, não significou que as diferenças entre patrícios e plebeus fossem abolidas, já que esse critério de diferenciação continuou ao longo da história romana.

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Estrutura política

No regime republicano, o poder não deveria ser concentrado nas mãos de uma só pessoa. No topo do poder político estava o Senado, que já existia anteriormente, mas que adquiriu maior importância na República, pois a partir de então ele passou a ser o responsável por escolher os dois cônsules que detinham o poder militar e civil.

Além dos cônsules, havia outros magistrados: os questores (encarregados do Tesouro público), os edis (encarregados de cuidar dos edifícios, esgotos, ruas, tráfego e abastecimento), os pretores (administradores da justiça), os censores (responsáveis pela contagem da população e averiguação de sua renda). A escolha desses magistrados estava a cargo do Senado, mas havia também a participação da Assembleia da Plebe e dos soldados na escolha. Apenas cidadãos poderiam se tornar magistrados e votar na escolha destes.

 

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Mas o conceito de cidadania na República Romana era muito mais amplo e flexível do que aquele que existia na democracia ateniense. No caso de Roma, podiam tornar-se cidadãos até mesmo ex-escravos alforriados. Estes, porém, não tinham plenos direitos políticos, mas seus filhos teriam essa possibilidade.

Expansão romana

Ao mesmo tempo em que a sociedade romana passava por grandes transformações sociais, com os plebeus adquirindo seus direitos e seu espaço na política e as instituições republicanas iam se consolidando, os romanos iniciaram um processo de expansão territorial que duraria por séculos.

Nos primeiros quatro séculos de sua história, Roma dominou, guerreou ou fez alianças com povos vizinhos, expandindo-se em direção ao Lácio e, depois à Itália central, meridional e sententrional, chegando, assim, a conquistar toda a Península Itálica até o século III a.C. A partir desse momento, a expansão romana estendeu-se para fora da Itália, trazendo ainda mais transformações para a sociedade.

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Em destaque, a região da Península Itálica

 

Uma das táticas de conquista utilizada pelos romanos tinha a ver com a formação de alianças. Os povos que se aliassem ao poder de Roma recebiam direitos totais ou parciais de cidadania. Já aqueles que resistiam à sua dominação eram derrotados e vendidos como escravos, tendo que se submeter aos mandos e e aos impostos romanos. Tal tática de tratamentos diferentes com relação aos dominados favoreceu o domínio romano, pois evitava que os povos derrotados se aliassem e se revoltassem contra Roma.

A outra maneira que os romanos encontraram para expandir suas fronteiras e seu domínio foi a guerra. Assim, quando dirigiram-se para o norte da África, em direção à cidade de Cartago, cidade de origem fenícia e responsável pelo controle do comércio do Mar Mediterrâneo, os romanos avançaram utilizando toda sua força militar.

Guerras Púnicas

Para conquistar novas terras férteis, como as da ilha da Sícilia e a fim de destruir a hegemonia cartaginesa no Mediterrâneo, os romanos entraram em sucessivos conflitos com os fenícios que habitavam Cartago e mantinham colônias na Sicília, Córsega e Sardenha. Esses conflitos ficaram conhecidos como Guerras Púnicas (uma referência aos fenícios que eram chamados pelos romanos de “punos”) que se estenderam de 264 a.C.a 146 a.C.

Na Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.), os romanos aproveitaram a disputa entre italiotas habitantes da Sicília e os fenícios e, em 264 a.C., entraram em conflito com os cartagineses. Após 23 anos de batalhas, finalmente os romanos saíram vencedores e como forma de compensação, os cartagineses foram obrigados a ceder os territórios das ilhas da Sicília, da Córsega e da Sardenha.

Ainda assim, Cartago mantinha importantes domínios territoriais e passou a explorar minas de prata na região que hoja é a Espanha, atitude que desagradou aos romanos, que tentaram, sem sucesso, delimitar as áreas de influência de cada um. Como forma de revanche, os cartagineses invadiram o território romano, conseguindo chegar muito perto de Roma e iniciando, assim, a Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.). Ao mesmo tempo, as tropas romanas rumaram a Cartago obrigando os cartagineses a sair do território romano e voltar a sua cidade, até que, em 201 a.C., liderados por Cipião, o Africano, os romanos derrotaram seus inimigos.

Na Terceira Guerra Púnica (149-146 a.C.), Roma, que já detinha enorme poder no Mediterrâneo, havia imposto aos cartagineses algumas restrições, como a necessidade de autorização do Senado romano para iniciar uma batalha. A partir de uma estratégia diplomática, os romanos puderam vencer e dizimar Cartago, depois que estimularam a invasão da cidade pela população vizinha, de Numídia. Sem a autorização de Roma para a reação, descumprindo assim, o acordo que tinha sido travado, as tropas romanas tiveram pretexto para guerrear com Cartago e, dessa vez, com o objetivo de dizimar a cidade e acabar de vez com seu poder. Feito isso, não havia mais obstáculos para os romanos dominarem o Mar Mediterrâneo e seu comércio, abrindo caminho para expandir ainda mais suas fronteiras em direção à Ásia e África.

As riquezas acumuladas e o grande número de pessoas escravizadas durante esse processo de expansão territorial causaram um grande êxodo rural ocasionado pelo uso quase que exclusivo de mão-de-obra escrava nas terras conquistadas. Assim, a estrutura da sociedade romana começa a se modificar, e, como consequência a estrutura política precisa assimilar tais transformações e novidades. Entra-se então numa nova fase da República romana que passa a tentar lidar com a situação da sociedade e da economia. Esse novo processo será tratado em um outro texto que será publicado aqui no blog.

Bibliografia 

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002.

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Saiba por que a nota do Enem é tão complexa

Mais do que número de acertos, prova avalia coerência do aluno

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A nota final do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costuma causar confusão nos alunos. Isso porque, além da quantidade de acertos, um complexo sistema avalia a qualidade do conjunto das respostas de cada aluno.

Para que essa combinação seja possível, a prova é composta de questões de diferentes graus de dificuldades. “Cada item que cai no teste já foi aplicado, rigorosamente da mesma maneira que está no exame, em várias escolas do país”, explica Élcio Bertolla, coordenador pedagógico do CPV Morumbi, que faz parte do Grupo CPV que há 57 anos atua na área de preparação de estudantes para vestibulares.

São esses pré-testes que definem a taxa de acerto esperada em cada problema. Só depois dessa avaliação é que a questão passa a fazer parte do banco de dados do Ministério da Educação, de onde saem as 180 perguntas de cada ano.

Entenda a “teoria de resposta”

Assim, as provas têm itens que avaliam apenas interpretação de texto, outros que consideram também o conhecimento prévio do conteúdo e outros que pedem, além desses dois quesitos, o raciocínio. Para calcular a nota, aplica-se a TRI, abreviação para Teoria de Resposta ao Item, que são modelos estatísticos que classificam e ordenam as questões de acordo com a complexidade delas. O gabarito de cada aluno é examinado de acordo com essa ordenação.

O aluno que acertar as questões difíceis também deverá acertar as fáceis. Se, no entanto, ele errar as mais simples, há grandes chances dos acertos terem sido ao acaso. “Por esse sistema, um aluno que acerta só as questões difíceis acaba ficando com uma nota mais baixa que outro que acerte apenas as fáceis, pois as respostas do primeiro não são coerentes”, diz Bertolla.

Com informações do Portal da Band.

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Confira os temas de história que mais “caem” no Enem

Saber o que vai “cair” nas provas de vestibular e Enem é sempre uma incógnita, mas os professores que trabalham em cursinhos pré-vestibulares e que analisam provas há anos podem fazer uma previsão e uma análise de temas que tem mais chances de aparecerem nas provas. Foi isso que alguns professores do Sistema de Ensino Poliedro fizeram: eles apontaram os assuntos com maiores possibilidades de serem cobrados no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Analisando o histórico das provas, os professores apontam que, na área das Humanas, a grande incidência é com relação a assunto que envolvam formas de organização social, movimentos sociais e ação do estado, que apareceram em 30% das provas analisadas. Já em História, há grandes chances de aparecerem questões relacionadas à democracia e república romana, especialmente por conta dos problemas políticos por que passa o país.

Seguindo a tendência dos grandes vestibulares, como Fuvest, Unicamp e Unesp, em História do Brasil, a probabilidade é de que temas como Brasil Colônia, Proclamação da República, Primeiro e Segundo Reinado sejam cobrados nas questões.

É importante ainda lembrar que o Enem também costuma elaborar questões que pedem que o aluno esteja atento aos assuntos atuais. Assim, é importante ter em mente os fatos do passado em relação com os acontecimentos do presente. Estar atento aos noticiários atuais e procurar entender a situação política do país e do mundo é muito importante para que o candidato tenha mais chances de se sair bem nessas provas de vestibulares nacionais.

Para saber mais sobre a tendência do Enem, acesse: http://g1.globo.com/educacao/enem/2016/noticia/enem-ondulatoria-e-ecologia-estao-entre-os-temas-mais-comuns-veja-lista.ghtml

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Segundo Reinado: Anos iniciais

O reinado de D. Pedro II durou quarenta e nove anos e foi marcado pela habilidade do governante em equilibrar as forças políticas ao mesmo tempo em que consolidou a centralização do poder, a partir das atribuições do Poder Moderador, criado por seu pai, D. Pedro I, durante o Primeiro Reinado.

Golpe da Maioridade

Desde a abdicação de D. Pedro I em favor de seu filho, então com cinco anos, o Brasil vinha sendo governado por regentes, durante o chamado Período Regencial. Tal arranjo acabou sendo desmanchado, quando os políticos liberais, se sentindo excluídos do governo do regente Araújo Lima, orquestraram uma forma de colocar o príncipe herdeiro no trono do Brasil.

A articulação do grupo liberal se deu em torno da interpretação da Constituição de 1824, que estabelecia que a escolha de um regente sem vínculos familiares com o herdeiro da Coroa só poderia acontecer caso não existisse um membro da família real em condições de assumir a função. Tal disposição estava sendo descumprida desde que a princesa D. Januária, filha de D. Pedro I, completou 18 anos, em 11 de março de 1840. Araújo Lima e os deputados conservadores, seus aliados, afirmavam que essa disposição estava sendo desobedecida por que sua escolha havia sido feita quando príncipe e princesa ainda eram menores. Dessa forma, ele tinha direito de cumprir os quatro anos de seu mandato. Aliado a isso, seus apoiadores procuravam destacar os riscos que a política correria se o poder estivesse nas mãos de uma mulher inexperiente.

Os deputados liberais então criaram, em abril de 1840, a Sociedade Promotora da Maioridade do Sr. D. Pedro II, na qual discutiam uma proposta para a inconstitucionalidade do governo regencial de Araújo Lima. A solução a que chegaram esses políticos era baseada no adiantamento da maioridade do herdeiro do trono, já que a outra saída constitucional para o “problema” do governo seria colocar uma mulher no comando do Império.

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D. Pedro II aos 12 anos

Diante da acusação de inconstitucionalidade, os conservadores passaram a dispor de poucos argumentos para manter o governo regencial sem correr o risco de serem qualificados de antimonárquicos ou anti-Pedro II, o que seria visto como prejudicial para a manutenção da unidade nacional, tema caro aos eleitores. O governo de Araújo Lima então não teve escolha e colocou a discussão do projeto de lei que reconhecia a maioridade de D. Pedro II em pauta. Mas, vendo que esta seria aprovada de imediato, os apoiadores do regente passaram a agir de forma a adiar sua votação. Em uma manobra parlamentar, orquestrada pelos liberais, a lei foi aprovada e os conservadores tiveram que deixar o poder e jurar fidelidade ao novo imperador.

Início do Reinado

D. Pedro II foi coroado imperador do Brasil dia 18 de julho de 1841, quase um ano depois de ter prestado juramento à Constituição, em julho de 1840. A primeira década de seu reinado foi marcada pelas constantes trocas de gabinetes ministeriais e dissoluções da Câmara, como forma de lidar com as disputas políticas entre liberais e conservadores. Partidos que, diga-se, não eram tão distantes assim em seus interesses, pois ambos eram elitistas e mudavam de postura de acordo com as circunstâncias, mas, ainda assim, estavam sempre em atrito, colocando inúmeras dificuldades para o andamento dos projetos de lei nas casas parlamentares.

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Retrato do Imperador D. Pedro II, de Antônio de Sousa Lobo. Meados do século XIX.

Logo após o início do reinado de D. Pedro II, foram realizadas eleições para a Câmara dos Deputados, nas quais os liberais que já ocupavam os ministérios nomeados pelo imperador tinham grande interesse. A ideia dessa facção política era colocar em prática medidas descentralizadoras que oferecessem maior autonomia às províncias. Para isso, eles precisavam ocupar também a Assembleia Geral, que, naquele momento, era majoritariamente conservadora. Para reverter essa situação, nas eleições de 1841, os liberais utilizaram meios violentos a fim de elegerem seus deputados, o que resultou no episódio chamado de “eleições do cacete”.

Os conservadores, insatisfeitos com os resultados e sabendo dos expedientes utilizados pelos liberais nas eleições, reivindicaram junto ao Imperador a dissolução da Câmara dos Deputados. Reivindicação esta que foi atendida, em 1° de maio de 1842, em forma de decreto, no qual D. Pedro II justificava a medida destacando as “características irregulares” e “violentas” do processo eleitoral de 1840. Vale lembrar que o fechamento da Câmara dos Deputados era uma das atribuições do Poder Moderador, portanto, ao fazer isso, o Imperador estava assumindo as atribuições que seu cargo permitia.

Política

Uma das medidas mais significativas do período foi a restauração do Conselho de Estado (Lei de 23 de novembro de 1841), conselho de líderes político-partidários que existia para que o Imperador recorresse sempre que este fosse exercer suas atribuições do Poder Moderador. Tal Conselho, criado por seu pai, D. Pedro I, havia sido extinto com o Ato Adicional de 1834, portanto, no período da Regência.

Os liberais que haviam articulado o Golpe da Maioridade não ficaram satisfeitos com a reativação desse conselho, pois acreditavam que ele representava a perda das principais conquistas a favor da descentralização, da autonomia das províncias e, sobretudo, da limitação do Poder Moderador. Em sua visão, a existência do Conselho de Estado poderia levar a uma manipulação do imperador, que ficaria comprometido com os setores da sociedade que tinham representação no Conselho. Em suma, os liberais queriam que, após terem sido a base de apoio do início do reinado de D. Pedro II, este ancorasse seu governo somente em políticos e propostas liberais.

Outra medida tomada pelo novo imperador foi a Reforma do Código de Processo Criminal (Lei de 3 de dezembro de 1841), que determinava que todo aparelho administrativo do judiciário, com exceção dos juízes de paz, seria controlado pelo governo federal. A ideia era que, com essa medida, o governo possuísse os meios de reprimir qualquer movimento separatista que surgisse no país, tendo autonomia para impor as normas judiciárias.

Revoltas

Durante o período regencial, o clima de descontentamento com a centralização do poder federal era grande e, em várias províncias do país, grupos se revoltaram. Acreditava-se que a situação seria diferente com a figura forte de um imperador. No entanto, sob o governo de D. Pedro II, novas revoltas eclodiram pelo país, motivadas pelo descontentamento dos liberais e das lideranças provinciais insatisfeitas com ordens imperais.

Em 1842, os liberais, insatisfeitos com a dissolução da Câmara dos Deputados pelo imperador, após as chamadas “eleições do cacete”, se organizaram nos estados de Minas Gerais e São Paulo e pegaram em armas contra o governo de D. Pedro II. Foram as chamadas Revoltas liberais de 1842. Em ambos os estados, deputados liberais se recusaram a aceitar as ordens dos presidentes das respectivas províncias que haviam sido nomeados pelo imperador. As revoltas foram reprimidas pelas tropas federais sob a liderança do barão de Caxias, que era também responsável pela negociação para o fim da Guerra dos Farrapos, que estava em curso desde 1835.

Outra revolta do período foi a chamada Revolução Praieira, que aconteceu em Pernambuco, entre 1848 e 1850. No estado, uma disputa antiga entre o Partido Conservador (Guabiru) e o liberal Partido da Praia (uma referência à sede do partido, que ficava na Rua da Praia) acabou dando origem à última revolta ocorrida durante o período imperial.

No início de 1848, o governo central determinou o afastamento do líder praieiro Chichorro da Gama da presidência da província, cargo que ele ocupava desde 1845. Com isso, membros do partido acabaram perdendo seus postos administrativos e seu espaço na política e, em novembro de 1848, quando o conservador Herculano Ferreira Pena foi nomeado novo presidente da província, os praieiros se organizaram e iniciaram sua revolta na cidade de Olinda. A revolta, de caráter federalista e liberal, logo se alastrou pela província, atingindo a Zona da Mata e áreas do agreste, após a adesão de populares, mas perdeu apoio das lideranças praieiras proprietárias de terras que receavam que o movimento se perdesse com a participação das “turbas”. Em 1849, a revolta já estava praticamente dizimada, mas as tropas imperiais só conseguiram colocar um ponto final em 1850. Vários revoltosos foram presos e condenados à prisão perpétua. Em 1851, no entanto, o governo imperial concedeu anistia a todos. Esse foi o fim da última revolta imperial. Até o final do reinado de D. Pedro II, nenhum movimento de reivindicação ou revolta eclodiu colocando em risco a integridade territorial.

Assim, é possível afirmar que as primeiras décadas do reinado de D. Pedro II foram marcadas pelas constantes disputas entre o Partido Conservador e o Partido Liberal, entre governo central e governos provinciais. O novo imperador procurava lidar com essas disputas lançando mão de suas atribuições do Poder Moderador, ou seja, sua prerrogativa de dissolver a Câmara dos Deputados. Expediente este que foi muito utilizado em todo o longo reinado de D. Pedro II, como será visto num próximo post.

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Civilização islâmica

O termo islamismo ou muçulmano é muito utilizado nos dias de hoje, especialmente quando se fala de fundamentalismo religioso, de costumes femininos, como o uso da burca, ou dos conflitos que acontecem na península arábica. Mas é importante entender que essa religião, fundada no século VII pelo profeta Maomé, não diz respeito somente a esses assuntos. Sua história remonta há muitos séculos e é muito importante para entender muitos aspectos não só da cultura muçulmana como da cultura europeia, especialmente aquela herdada do Renascimento.

A região da península arábica, antes do nascimento de Maomé (ou Mohamed), era formada por diferentes povos, como hebreus, árabes, aramaicos, fenícios e assírios, que não possuíam um poder centralizado nem uma cultura comum. No geral, eram todos politeístas e tinham como ponto principal de adoração o templo de Caaba, na cidade de Meca, onde havia a consagração de diferentes imagens e símbolos religiosos, além da Pedra Negra, que era adorada por diferentes povos e tribos, pois segundo a tradição, ela havia caído do céu.

A região, por sua localização entre o Ocidente e o Oriente, era uma importante rota comercial e Meca era o principal polo da região. Por volta do ano 570, nasce Maomé, que durante cerca de 40 anos foi condutor de caravanas e comerciante. Nesse período, assim como os outros mercadores daquela época, teve grande contato com cristãos e judeus, povos monoteístas, que não compartilhavam do mesmo espectro religioso dos habitantes de sua região.

A fonte principal para saber mais sobre a vida do profeta Maomé é o livro sagrado do islamismo, o Corão, que compila seus ensinamentos e as diretrizes do islamismo. Assim, de acordo com esse livro, Maomé, por volta dos quarenta anos, passou a ter visões nas quais Deus (Alá), por intermédio do anjo Gabriel, o chamava a ser seu profeta e a estabelecer o monoteísmo na península arábica. De acordo com a tradição, Deus já havia mandado outros profetas ao mundo, Abraão, Moisés e Jesus, sendo Maomé o último e o mais importante, pois seria aquele que professaria a nova crença. É importante notar, no entanto, que Maomé, dentro da crença muçulmana não é um ser divino, como é o caso de Jesus Cristo no catolicismo.

Seguindo as revelações de Deus, Maomé passou a pregar a nova fé, baseada no monoteísmo e nas ideias de justiça divina. A mensagem era simples: submissão a Deus e necessidade de purificação antes do Juízo Final e incluía ainda a ideia de que era preciso proteger órfãos, viúvas e os mais pobres. Tais ideias encontraram um terreno fértil e foram acolhidas por várias pessoas, mas, ao mesmo tempo, desagradaram aos comerciantes da região, que passaram a perseguir o profeta.

Em 622, juntamente com vários discípulos, Maomé fugiu da perseguição de tais comerciantes e rumou à cidade de Yathrib (atual Medina), que ficava a 350 quilômetros ao norte de Meca, em um deslocamento que ficou conhecido como hégira, e marca o início do calendário muçulmano. Lá, converteu muitas pessoas e organizou a cidade de acordo com seus ensinamentos.

Decidido a retornar a Meca e purificar a Caaba, ou seja, retirar dela todos os símbolos e imagens religiosas menos a Pedra Negra, Maomé e seus discípulos promoveram a jihad, que significa “esforço de conversão”. Usualmente, fala-se de uma “guerra santa”, mas a ideia é que o jihad deve ser uma forma de levar a religião para outros lugares e, para isso, é possível, mas não obrigatório, o uso da violência. É importante destacar que a jihad para os muçulmanos significa uma forma de se purificar ao levar os ensinamentos de Deus a outras pessoas.

Voltar a Meca e a conquistar significava uma vitória para a religião, pois segundo as revelações de Deus a Maomé, a cidade deveria ser o principal ponto de peregrinação dos fiéis, que deviam ir a essa cidade pelo menos uma vez na vida. A importância dessa localidade se dava pela Caaba, que teria sido construída por Abraão seguindo uma ordem divina e a Pedra Negra nela presente que teria sido entregue pelo anjo Gabriel a Ismael, filho de Abraão. Assim, para destacar o papel do templo e da cidade na religiosidade de cada fiel, era preciso purifica-los retirando todos os símbolos religiosos.

Entre 622 e 632, data da morte de Maomé, o islamismo foi levado à maioria dos povos árabes e isso levou a uma unificação desses diferentes grupos, que passaram a ter um elemento comum: a religião. Essa conversão foi feita, em grande parte, por meio de ação militar, mas vale destacar que os muçulmanos não impunham de imediato a aceitação da religião nas regiões conquistadas, limitando-se a cobrar impostos daqueles que não se convertiam.

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Expansão do islamismo pós-Maomé

Essa adesão às pregações de Maomé e ao islamismo levou à unificação dos povos árabes, algo totalmente inédito. Após a morte de Maomé, seu sogro, Abu-Beck, consolidou a unificação política da região, instaurando um modelo teocrático (ou seja, sistema em que o poder político é fundamentado no poder religioso), em que o califa governa a partir dos preceitos da lei islâmica.

Os sucessores do profeta, além de consolidarem a unificação da região também foram responsáveis por expandir a religião e o poder muçulmano sobre outras partes do mundo, inclusive para a Europa. A dinastia omíada, que governou entre 661 e 750, foi a responsável por conquistar o território de Jerusalém para os muçulmanos e, em 711, por invadir a península ibérica.

Assim, durante cerca de um século foi construído um grande império que abrangia os territórios que hoje são chamados de Palestina, Irã, Índia, Síria, Iraque, Espanha, Egito, África do Norte e algumas ilhas do Mediterrâneo. No século XIII, esse império começou a se desintegrar, dando origem a outros império que mantiveram a religião islâmica como elo de ligação.

Essa grande expansão teve como principal motivo a conversão religiosa de outros povos, mas podem-se destacar também outros aspectos importantes que tornaram possível o estabelecimento de tão grande império, como: a necessidade de os árabes procurarem terras mais férteis, a ideia da doutrina do jihad, que prometia aos que morressem lutando pela fé um lugar no céu, o enfraquecimento dos dois maiores impérios do oriente, o persa e o bizantino e a pouca resistência encontrada nos povos dominados, pois os muçulmanos não impunham a religião de início.

No século X, os califados islâmicos dominaram o comércio do Mar Mediterrâneo, mas logo as disputas religiosas e políticas entre as diferentes dinastias permitiram que os muçulmanos perdessem sua força coesa e dessem espaço para que os cristãos retomassem alguns territórios durante as Cruzadas dos séculos XI e XII. Essas disputas causaram uma grande divisão entre os muçulmanos, que segue até hoje, dando origem a dois grupos que lutam pelo poder político-religioso. De um lado, estão os sunitas, seguidores do Corão e do Suna (livro de pregações piedosas de Maomé), que aceitam como líderes políticos pessoas eleitas pelos fiéis. De outro lado, estão os xiitas, que aceitam apenas o Corão como livro sagrado e a liderança política de descendentes de Maomé. Assim, as disputas entre esses dois grupos se dão tanto por motivos religiosos, havendo divergências sobre aspectos doutrinários, quanto políticos, pois eles tem ideias diferentes sobre o tipo de liderança que devem seguir.

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Mesquita de Omar ou Cúpula do Rochedo em Jerusalém

Cultura islâmica

O mundo muçulmano, que se estendia da Espanha às fronteiras com a Índia, prosperava por conta do comércio e tinha como fatores de unificação a religião, a política e a língua árabe. Um fato pouco destacado quando se fala de islamismo e cultura é a importância que esse império teve na preservação e renovação das obras científicas escritas por persas e gregos, que tiveram grande influência no desenvolvimento da medicina, da astronomia e da matemática. Grande parte dessas obras foram muito utilizadas pelos humanistas durante o Renascimento (LINK), já que foi a partir do contato comercial entre as cidades italianas e o Oriente que muitas obras clássicas foram “redescobertas” e utilizadas.

Assim, os muçulmanos foram os responsáveis por difundir alguns conhecimentos e descobertas do Oriente para o Ocidente, como o papel, a bússola, a pólvora, o conceito de numeral zero, o álcool e o ácido sulfúrico.

Vale destacar também que a civilização islâmica era essencialmente urbana e comercial, num período em que a Europa Ocidental era quase totalmente baseada na agricultura e no sistema feudal. As cidades muçulmanas, organizadas em torno das mesquitas (local de culto), eram tomadas por comerciantes, que ocupavam tendas, vielas e praças, onde caravanas de mercadores se reuniam.

A arquitetura muçulmana é muito característica e as mesquitas são grandes exemplos. Tais templos eram rodeados por grandes torres pontiagudas, os minaretes, que servem para que os líderes religiosos chamem os fiéis para as orações diárias. No interior, encontram-se os arabescos, desenhos geométricos estilizados e versos escritor na caligrafia árabe. Por receio da idolatria, quase não existem representações humanas ou de animais e Deus (Alá) nunca era representado por uma imagem.

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Mesquita Azul, em Istambul

Princípios do islamismo

São várias as regras que os fiéis muçulmanos devem seguir. A primeira e mais importante é a devoção a um só Deus: “Só há um Deus, que é Alá, e Maomé é o seu Profeta.” Além disso, para se purificar, todo convertido deve fazer orações cotidianas em honra de Alá e voltado para Meca, onde está a Pedra Negra, símbolo do compromisso e da amizade entre o homem e Deus. Dar esmolas é obrigatório àqueles que podem e existem algumas datas especiais que devem ser lembradas e celebradas.

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Muçulmanos em Meca

Islamismo hoje

Atualmente, o islamismo é a segunda maior religião do mundo, mas o senso comum liga essa religião somente aos fundamentalistas. É importante destacar que os fundamentalistas religiosos são uma minoria. Para eles, a religião deve ser levada da forma mais estrita possível, levando a uma interpretação literal das leituras sagradas.

A partir da Revolução de 1979, um grupo de muçulmanos reabilitou conceitos como a jihad de forma literal e violenta, voltando suas ações especialmente contra os Estados Unidos, por conta da ação desse país na eleição de um governante de seu interesse. A partir de então, essa interpretação literal e estrita da religião vem sendo praticada por grupos muçulmanos no mundo todo, mas isso não significa que todos os praticantes dessa religião pensam da mesma forma e agem com a mesma radicalidade.

Assim, conceitos como muçulmanos, islamismo, árabes e fundamentalistas devem ser sempre pensados de forma crítica, levando em conta sua historicidade e significado cultural e social. Recuperar a história nos faz mais críticos com os fatos do presente e deve levar sempre a uma reflexão mais profunda e trabalhada.

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